SEÇÕES

Mantido júri de empresário acusado de matar esposa e forjar suicídio em Teresina

No dia 20 de outubro de 2023, Kamila Carvalho do Nascimento, de 22 anos, foi encontrada morta em seu quarto no bairro Aeroporto, na zona Norte de Teresina.

Ver Resumo ▼
  • Juiz do Piauí manteve julgamento de Eliésio Marinho por feminicídio, apesar de defesa questionar provas.
  • Defesa alega falta de testemunhas e insuficiência de indícios para condenar acusado.
  • Relação conturbada entre acusado e vítima, com histórico de violência doméstica, foi destacado na decisão.
  • Eliésio é acusado também de fraude processual e posse ilegal de arma de fogo.
Kamila Carvalho do Nascimento e Eliésio Marinho da Silva | Foto: Reprodução
Siga-nos no

A Justiça do Piauí manteve o julgamento pelo Tribunal Popular do Júri do empresário Eliésio Marinho da Silva, réu por assassinar a própria esposa, Kamila Carvalho do Nascimento. A defesa do acusado havia entrado com recursos onde questionou as provas apresentadas e alegou insuficiência de indícios de autoria.

Segundo a defesa, “a prova oral colhida na instrução não contribui para o esclarecimento da dinâmica dos fatos, uma vez que, no momento do ocorrido, estavam presentes apenas o acusado, a vítima e a filha menor do casal, inexistindo testemunha presencial do evento, circunstância reconhecida na própria sentença de pronúncia”.

Evidencia circunstâncias relevantes, notadamente o contexto de relacionamento conturbado entre acusado e vítima, marcado por episódios de violência doméstica, além do fato de o denunciado ter sido a última pessoa a estar com a vítima, consta na decisão que manteve o julgamento, que ainda não tem data definida. 

Eliésio é réu por feminicídio, além de fraude processual e posse ilegal de arma de fogo de uso permitido.

RELEMBRE O CASO

No dia 20 de outubro de 2023, Kamila Carvalho do Nascimento, de 22 anos, foi encontrada morta em seu quarto no bairro Aeroporto, na zona Norte de Teresina. Ela estava caída ao lado da cama, com uma faca na mão e uma pistola próxima ao corpo. 

À época, Eliésio afirmou que a esposa havia cometido suicídio. No dia 23 de outubro, o empresário chegou até a conceder entrevista à TV Meio Norte, onde alegou que o momento que estava passando era muito difícil e revelou que houve uma discussão com a companheira. Ele falou que deixava a arma no guarda-roupa, e que era para a sua segurança, para a segurança da sua família, pois era empresário e tinha medo que alguém invadisse sua casa.

Eliésio disse ainda que, nunca entregou a arma para Kamila e não soube dizer se ela sabia ou não manusear uma arma. Ele falou que após o disparo, ligou para algumas pessoas e depois foi retirado do local, junto com a filha, pois, segundo ele, não tinha condições de permanecer na casa.

Eliésio foi preso durante o seu depimento, três dias após a morte de Kamila. A investigação descartou a tese de suicídio, apontando que não havia pólvora na mão da vítima, a distância do disparo era incompatível e havia indícios de manipulação do local do crime.

Em 26 de janeiro de 2024, recebeu liberdade, mas com medidas cautelares. 

Em 31 de julho de 2025, Eliésio voltou a ser preso durante a Operação Denarc 59 - Capital Oculto, integrada das polícias Civil e Militar contra uma célula criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O empresário usava sua concessionária de carros de luxo como disfarce para lavar dinheiro em benefício da organização criminosa, segundo as investigações.

Em 13 de junho de 2026, ele foi pronunciado para julgamento pelo Tribunal Popular do Júri, onde a defesa entrou com recurso, mas foi negado pela Justiça.

Tópicos

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais
Veja Também
ACESSE NOSSO
CANAL NO ZAP