Para Eagleson, o processo em Guantánamo se transformou em uma fonte permanente de frustração.
"Minha sensação geral é de traição por parte do governo americano e de extrema frustração", declarou ele. "Eles arruinaram completamente todas as fases deste julgamento."
Ele decidiu não acompanhar presencialmente as próximas audiências preliminares na base militar.
Eagleson também observa que a relação da sociedade americana com o 11 de Setembro mudou ao longo dos anos. Enquanto para os familiares o trauma continua presente, parte da população passou a enxergar os ataques principalmente como um acontecimento histórico.
"Acho que as pessoas simplesmente consideram que capturamos Bin Laden, já saímos do Iraque e que a guerra do Afeganistão terminou", explica ele. "Eles consideram que este capítulo já acabou."
Para as famílias, porém, a história ainda não terminou.
Caso o julgamento finalmente aconteça, a expectativa é de que ele se estenda por aproximadamente um ano. Antes disso, as audiências preliminares precisam definir quais provas poderão ser apresentadas aos militares que atuarão no tribunal.
Kasey McCall-Smith explica que essa etapa é fundamental para determinar o andamento do processo.
"Se isso for definido antecipadamente, o julgamento pode se desenvolver com mais agilidade", segundo ela.
Enquanto o 25º aniversário dos atentados se aproxima, os familiares continuam divididos entre a necessidade de acompanhar o processo e o desejo de deixar para trás uma história que marcou suas vidas.
Gerhardt resume esse sentimento ao falar sobre as viagens a Guantánamo e a vontade de voltar a se concentrar na própria vida.
"Não quero voltar para este lugar", afirma ele. "Quero viver minha vida e desfrutar dos meus hobbies e das recordações de Ralph."f