A percepção de que o autismo se tornou mais comum não está necessariamente ligada a um aumento real de casos. Especialistas apontam que o crescimento nos números está associado, principalmente, à ampliação do reconhecimento clínico e social do TEA.
Segundo José Vicente Montagud Fogués, professor da Universidade Internacional de Valência, na Espanha, houve avanços nos critérios diagnósticos e maior capacitação de profissionais da saúde e da educação para identificar sinais do transtorno ainda na infância.
Outro fator importante é o acesso mais rápido às avaliações especializadas. Com mais informação disponível, as famílias buscam atendimento mais cedo, o que contribui para diagnósticos precoces. Além disso, a compreensão sobre o autismo também mudou: hoje, o TEA é visto como parte da neurodiversidade, e não como uma condição que precisa ser “corrigida”.
Apesar dos avanços, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento ainda é desigual no Brasil. Em regiões de menor renda, a escassez de profissionais, a demora na rede pública e as dificuldades financeiras das famílias continuam sendo obstáculos importantes.