- A Justiça Eleitoral negou pedido de Tatiana Medeiros para retirar tornozeleira eletrônica.
- Tatiana foi condenada a 19 anos e 10 meses de reclusão por organização criminosa e corrupção eleitoral.
- A decisão manteve o monitoramento rigoroso, apesar das alegações da defesa sobre saúde mental da vereadora.
- A Justiça considerou que a parlamentar já recebe acompanhamento especializado e não há necessidade de retirada da tornozeleira.
A Justiça Eleitoral negou, nesta quinta-feira (21), pedido de retirada da tornozeleira eletrônica da vereadora Tatiana Medeiros. A parlamentar foi condenada a 19 anos, 10 meses e 7 dias de reclusão e 492 dias-multa, por organização criminosa, corrupção eleitoral.
Nego à ré o direito de recorrer em liberdade, uma vez que não verifico alteração na situação fáticojurídica que conduza à revogação da prisão preventiva, na modalidade domiciliar, pois seus fundamentos permanecem em vigor. A cautelaridade para resguardar a ordem pública deve ser mantida em razão da gravidade em concreto das condutas apuradas, diante da constatação do financiamento da campanha eleitoral da ré, consta na decisão.
A decisão mantém o monitoramento rigoroso mesmo diante das alegações da defesa sobre o grave estado de saúde mental da ré. A vereadora, que cumpre prisão domiciliar, é apontada como peça-chave em um esquema de financiamento de campanha com recursos de origem ilícita.
O pedido para retirada da tornozeleira eletrônica foi baseado em laudos que apontam depressão recorrente. A defesa alegou que os alertas do equipamento agravavam as crises de ansiedade da vereadora. Mesmo assim, a Justiça manteve o monitoramento por causa da gravidade das investigações, que apontam que a campanha de Tatiana teria sido financiada pelo então companheiro, Alandilson, ligado financeiramente à facção Bonde dos 40. A decisão também destacou que a parlamentar já recebe acompanhamento especializado.
No caso, portanto, não restou demonstrada a completa inadequação do monitoramento eletrônico com a situação de saúde da ré e existe outra medida capaz de preservar sua integridade psíquica e assegurar a continuidade adequada do tratamento, como a internação voluntária em clínica especializada, na qual a ré já encontra-se acolhida, na Clínica Restaurar, consta na decisão.
ENTENDA
A vereadora de Teresina Tatiana Medeiros foi presa pela Polícia Federal em abril de 2025 durante a Operação Escudo Eleitoral, que investiga o financiamento de sua campanha eleitoral através de uma facção criminosa, por meio de Alandilson.
A investigação também aponta lavagem de dinheiro, compra de votos, falsidade ideológica e uso irregular da ONG Instituto Vamos Juntos para movimentar recursos ilícitos.
Em 2026, a vereadora foi condenada pela Justiça Eleitoral a mais de 19 anos de prisão pelos crimes investigados.