- Primeira-dama Janja da Silva defende regulamentação de redes sociais para proteger crianças e adolescentes.
- Janja afirma que ataques virtuais e discursos de ódio refletem uma cultura de misoginia generalizada.
- Ataques à Janja, especialmente por parte da imprensa e jornalistas, a deixaram em dúvida sobre sua permanência na vida pública.
- Janja reforça que não mudará sua postura diante de críticas e continuará defendendo causas sociais como combate à fome e proteção da infância.
- Após morte de menina em Brasília, Janja levou o caso ao presidente da China, Xi Jinping, para discutir responsabilidades das plataformas digitais.
A primeira-dama Janja da Silva afirmou que a violência contra mulheres nas redes sociais e a disseminação de discursos de ódio reforçam a necessidade de regulamentação das plataformas digitais. Em entrevista exclusiva concedida à jornalista Cinthia Lages, da TV Meio Norte, nesta quinta-feira (30), em Teresina, Janja disse que continuará defendendo pautas relacionadas à proteção de mulheres e crianças, mesmo diante dos ataques que, segundo ela, tendem a aumentar durante o período eleitoral.
Ao abordar o ambiente digital, ela relacionou os ataques virtuais à cultura da misoginia e afirmou estar preparada para enfrentar esse cenário.
"Então, eu estou preparada psicologicamente para essa campanha, que, dizem, vai ser muito violenta. Os especialistas já antecipam isso. Mas eu acho que vou continuar fazendo o meu trabalho, falando o que eu falo, defendendo as coisas em que acredito."
MISOGINIA
Segundo Janja, a violência política e digital contra mulheres ocorre dentro de um contexto mais amplo de misoginia, no qual elas se tornam alvos preferenciais de ataques.
"Aliás, o crime contra a mulher existe num contexto de misoginia. Tudo aquilo que eu descrevi, aquela preferência por atingir uma mulher, preferencialmente para atingir o presidente. Eu sempre digo isso. Acho que, para eles, é muito fácil usar uma mulher. Porque, não importa, é só uma mulher, entendeu? Ela não tem importância. Não estou falando de mim, estou falando da personagem mulher."
REGULAMENTAÇÃO DAS PLATAFORMAS
Durante a entrevista, Janja voltou a defender regras para as redes sociais, argumentando que a ausência de mecanismos mais rígidos de controle expõe crianças e adolescentes a conteúdos perigosos.
Ela revelou que levou esse tema ao presidente da China, Xi Jinping, após a morte de uma menina de oito anos, em Brasília, que participou de um desafio divulgado nas redes sociais.
"A gente está fazendo a defesa das nossas crianças. Uns dias antes, uma menina de oito anos morreu em Brasília. Ela aceitou um desafio no TikTok, inalou desodorante e morreu ao lado do avô. O avô não viu. Ela estava no celular. Aquilo me impactou muito."
Segundo a primeira-dama, esse episódio reforçou a necessidade de discutir responsabilidades das plataformas digitais.
"Quando a gente viajou, na oportunidade daquele jantar mais informal, eu contei essa história ao presidente Xi. Falei da importância de a gente fazer a regulamentação das redes sociais para proteger as nossas crianças e adolescentes."
ATAQUES
Janja afirmou que sua defesa da regulamentação das redes sociais provocou uma onda de críticas e ataques, situação que disse ter sido especialmente difícil pela participação de setores da imprensa e de mulheres jornalistas.
"E a forma como eu fui atacada, principalmente pela imprensa, e por mulheres jornalistas... Eu falei: 'Não é possível. A gente está fazendo a defesa das nossas crianças.'"
Ela contou que, diante da repercussão, chegou a pensar em abandonar a vida pública.
"Naquele momento, eu quis pegar minhas cachorras, minha bolsa e dizer: 'Tchau, vou para São Paulo. Façam o que vocês querem que eu faça.' Porque não é possível."
Apesar disso, afirmou que decidiu permanecer atuando e atribuiu essa decisão ao apoio recebido de sua equipe.
"As meninas que trabalham comigo me fortalecem muito. São só mulheres que trabalham comigo."
NÃO VAI RECUAR
Ao longo da entrevista, Janja destacou que sua atuação envolve outras pautas sociais, como o combate à fome e a proteção da infância, e afirmou que as críticas não mudarão sua postura.
"Eu trabalho em várias pautas. A questão da violência contra a mulher é uma delas. Eu sou embaixadora da FAO no combate à fome. Faço esse trabalho já há algum tempo, inclusive antes de estar nesse lugar em que estou, há mais de 20 anos. Também faço um trabalho de proteção às crianças."
Ao concluir, reforçou que continuará se manifestando sobre os temas que considera importantes.
"Então, eu sei que todas as falas... Eu posso ficar aqui falando com você durante uma hora, mas sempre vai haver alguma coisa para criticar. Mesmo assim, eu não vou deixar de falar."
ESCLARECIMENTO
Questionada sobre declarações atribuídas a ela a respeito da criação de um cargo formal para primeiras-damas, Janja negou ter defendido essa proposta e interrompeu a pergunta para esclarecer o assunto.
"Eu nunca disse que uma primeira-dama..."