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Governo defende declarar inconstitucional lei que pode reduzir pena de Bolsonaro

Parecer analisou Ação Direta de Inconstitucionalidade da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) que questionou a validade da lei.

Sede da AGU | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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A Advocacia-Geral da União defendeu nesta segunda-feira (18) a suspensão e a declaração de inconstitucionalidade da chamada Lei da Dosimetria. A manifestação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal e assinada em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A norma foi promulgada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em 8 de maio, após o Congresso Nacional derrubar o veto presidencial ao texto.

Norma permite redução de penas do 8 de janeiro

A Lei da Dosimetria permite a redução de penas de condenados pelos atos golpistas de Ataques de 8 de janeiro de 2023, incluindo a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão no julgamento relacionado à trama golpista.

Poucos dias após a promulgação, o ministro Alexandre de Moraes decidiu suspender liminarmente a eficácia da norma. Segundo o magistrado, haveria indícios de inconstitucionalidade e risco de interferência em investigações e julgamentos ainda em andamento.

STF deve julgar validade da lei

O tema ainda será analisado pelo plenário do STF, que deverá decidir de forma definitiva sobre a validade da lei. A expectativa é de que o julgamento aconteça até o fim deste mês.

O parecer da AGU foi elaborado no âmbito de uma ação apresentada pela Associação Brasileira de Imprensa, que questiona a constitucionalidade da norma.

O documento aponta possíveis irregularidades formais no processo legislativo, como a fragmentação indevida de veto presidencial e a ausência de retorno do projeto à Câmara dos Deputados após alterações consideradas substanciais no Senado.

Governo vê risco à ordem constitucional

A análise da AGU sustenta que a lei promove um abrandamento desproporcional das penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Segundo o órgão, a norma violaria princípios como a individualização da pena e a isonomia, além de oferecer proteção insuficiente à ordem constitucional ao facilitar progressão de regime e redução de sentenças relacionadas aos atos de 8 de janeiro.

Diante desses argumentos, a AGU solicitou ao STF a concessão de medida cautelar para suspender imediatamente os efeitos da lei. O órgão alertou para riscos de “impunidade fundada em interesses casuísticos” e para possíveis retrocessos no processo de redemocratização do país. O caso segue sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

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