Em 1986, ao desfilar pela avenida, o Império Serrano encontrou um país em um momento decisivo: o fim da ditadura militar e o início da redemocratização. Depois de vinte anos sob um regime autoritário, a escola levou para o samba-enredo um clamor simbólico do povo brasileiro, expresso nos versos: “Me dá, me dá/ Me dá o que é meu/ Foram vinte anos que alguém comeu”.
A partir dessa letra, o desfile provocou reflexões sobre as expectativas da sociedade no período pós-ditadura. De forma metafórica, o regime militar aparece representado como uma “tempestade”, enquanto a democracia surge associada à ideia de “liberdade”.
O resultado na competição foi expressivo: o Império Serrano conquistou o terceiro lugar no Grupo Especial. Esse desempenho marcou um dos últimos grandes momentos da escola, que atualmente disputa a segunda divisão do carnaval.