SEÇÕES

‘Nojento’: universitária relata crise de ansiedade após ser exposta em ‘ranking’ sexual com alunas

Jovem disse ter ficado ‘completamente sem chão’ ao descobrir que sua foto estava entre as imagens compartilhadas; seis vítimas foram identificadas

Ver Resumo
  • Universitária de Presidente Prudente relata crise de ansiedade após descobrir que sua imagem foi incluída em ranking sexual e depreciativo.
  • Imagens foram compartilhadas em grupo fechado de aplicativo de mensagens, com comentários ofensivos e classificações depreciativas.
  • Estudante afirma que colega de turma foi envolvido na produção do conteúdo, deixando-a abalada e sem reação imediata.
  • Policia Civil investiga caso em Presidente Prudente, com seis vítimas identificadas e cinco suspeitos sendo apurados.
  • Universidade Unoeste abre apuração interna e reforça a importância de não compartilhar conteúdo ofensivo.
Polícia Civil investiga suposto ranking sexual com fotos de estudantes de universidade em Presidente Prudente (SP) | Foto: Redes Sociais/Reprodução
Siga-nos no

Uma universitária de Presidente Prudente (SP) relatou ter sofrido uma crise de ansiedade após descobrir que sua imagem havia sido incluída em um “ranking” de teor sexual e depreciativo, compartilhado em um grupo fechado de aplicativo de mensagens.

A jovem, que preferiu não se identificar, contou à TV TEM que soube do caso no fim da tarde de quinta-feira (20), após a publicação de uma nota de repúdio pela Atlética da instituição.

Ela disse que inicialmente reconheceu nas imagens algumas amigas de sala. Ao continuar vendo o conteúdo, percebeu que também havia sido incluída na lista.

“Eu fui vendo e passando as fotos, os comentários, e percebi que as meninas que estavam nas fotos eram amigas de sala. Então, eu fiquei muito triste. Mas, vendo melhor as fotos, eu vi que estava lá também. Isso me deixou com uma crise de ansiedade, eu não sabia o que fazer.”

Segundo a universitária, ela estava sozinha quando descobriu a exposição e se sentiu desamparada diante da situação.

“A gente não sabe o que fazer na hora.”

‘Fiquei completamente sem chão’

A estudante também afirmou que ficou ainda mais abalada ao descobrir que um dos envolvidos na produção do conteúdo era um colega de turma.

“É uma nojeira. O homem que fez a edição mesmo era meu amigo de turma, sentava do meu lado, sabe? Então é algo nojento, esdrúxulo. A gente só vê por reportagens e acha que nunca vai acontecer com a gente. E, quando acontece, a gente fica completamente sem chão.”

A jovem ressaltou a importância de procurar apoio policial e institucional diante de situações semelhantes.

Outra universitária ouvida pela TV TEM afirmou que, mesmo entre as estudantes que não tiveram imagens divulgadas, há um sentimento de “vulnerabilidade e indignação” após o episódio.

Segundo as estudantes, a universidade realizou uma reunião com alunos e tem oferecido suporte relacionado à saúde mental.

Investigação

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Presidente Prudente. Até o fim da tarde desta sexta-feira (21), seis vítimas haviam sido identificadas e cinco suspeitos eram investigados.

A Polícia Civil informou que a apuração está em fase inicial, com coleta de depoimentos e preservação das provas digitais relacionadas ao grupo de mensagens. Até o momento, ninguém havia sido indiciado.

Polícia Civil investiga suposto ranking sexual com fotos de estudantes de universidade em Presidente Prudente (SP) — Foto: Redes Sociais/Reprodução 

Como funcionava o ‘ranking’

O conteúdo expunha estudantes de uma universidade privada de Presidente Prudente e atribuía a elas avaliações de teor sexual e depreciativo.

As fotos teriam sido retiradas das redes sociais das estudantes sem autorização e compartilhadas em um grupo fechado. As imagens eram acompanhadas de comentários ofensivos e classificações com expressões como “deliciosíssima”, “comível” e “arrebentaria”.

Mensagens trocadas no grupo também mostram participantes fazendo comentários sobre as mulheres incluídas no material.

O caso foi registrado na DDM na sexta-feira (21). A divulgação do conteúdo provocou protestos na entrada da instituição e manifestações de repúdio de movimentos sociais.

Na noite de quinta-feira (20), estudantes e ativistas realizaram um ato em frente ao Campus II da Unoeste, às margens da Rodovia Raposo Tavares (SP-270).

O coletivo A Frente pela Vida das Mulheres classificou o episódio como um ato de misoginia organizada e citou possíveis conexões com a ideologia red pill e com a lógica do “Valor Sexual de Mercado”.

O que dizem a universidade e as autoridades

Em nota, a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) informou que abriu uma apuração interna para identificar os responsáveis pela produção e divulgação do material e aplicar as medidas disciplinares previstas no regimento da instituição.

A universidade também afirmou que está acolhendo as estudantes envolvidas e reforçou a importância de não compartilhar o conteúdo, para evitar ampliar a exposição e os danos às vítimas.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar os responsáveis e esclarecer as circunstâncias da produção e disseminação do material.

Tópicos

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais
Veja Também
ACESSE NOSSO
CANAL NO ZAP