- Menina de 3 anos morre após lutar contra câncer em Campo Bom, RS.
- Criminosos usaram IA para criar vídeos falsos de Sophia pedindo doações.
- Mãe relata que criança sofria com consequências da radioterapia e infecção.
- Grupos criminais usavam deepfake e clonagem de voz em campanhas falsas.
- Dinheiro arrecadado era direcionado para contas de empresas de fachada.
Uma menina de 3 anos, identificada como Sophia Luisa Moraes dos Santos, morreu após enfrentar um câncer, em Campo Bom, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RS). O caso comove ainda mais porque, além da batalha contra a doença, a criança também foi vítima da ação de criminosos.
Ela teve a imagem usada em falsas campanhas de arrecadação online. Os criminosos usaram inteligência artificial (IA) para forjar vídeos em que a menina estaria pedindo dinheiro para pagar medicamentos.
Segundo a mãe, Kelen Santos, Sophia foi internada no fim da tarde de domingo (26) e faleceu na madrugada desta segunda-feira. "Ela estava com problema no coração por causa das radio[terapias]." A menina também estava com uma infecção no pulmão.
O câncer passa, mas ficam as consequências, né? E daí ela estava cuidando disso, mas eles tiveram de entubar hoje (segunda) porque ela estava com esforço respiratório e ela teve uma parada [cardiorrespiratória] e não aguentou, relata a mãe.
Nos anúncios falsos, uma voz gerada por IA simulava a criança fazendo apelos emocionais aos doadores. "O remédio que pode me ajudar é muito caro. E a mamãe disse que a gente já vendeu tudo. Se você puder ajudar, qualquer valor já me dá mais um dia com a minha mãe. Se você puder me ajudar, clica no botãozinho aqui embaixo", dizia a mensagem falsa.
Segundo o delegado João Vitor Herédia, da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE), o grupo utilizava ferramentas de inteligência artificial, deepfake e clonagem de voz para alterar campanhas verdadeiras. As publicações eram feitas por páginas falsas com nomes como "Clube de Doadores" e "Unidos pelo Amor".
Ao clicar nos anúncios, as vítimas eram direcionadas para sites que imitavam plataformas legítimas de arrecadação. Nessas páginas, era gerado um código Pix, e o dinheiro caía em contas de empresas de fachada controladas pelos criminosos.
(MeioNews com informações do g1/RS)