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Lucas Padula

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Famílias de vítimas do voo da Voepass têm acesso à transcrição da cabine e reforçam pedido de responsabilização

Documento integra a fase final do inquérito da Polícia Federal, que deve ser concluído nas próximas semanas e pode resultar em indiciamentos.

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  • Representantes das famílias das 62 vítimas da queda do voo 2283 tiveram acesso à transcrição das conversas da cabine.
  • A transcrição faz parte do laudo pericial da Polícia Federal e foi apresentada em reunião em Campinas (SP).
  • A investigação criminal está na reta final e deverá ser concluída nos próximos 30 dias.
  • As famílias esperam que todos os responsáveis pelo acidente sejam identificados e responsabilizados criminalmente.
  • O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando o avião caiu em um condomínio em Vinhedo, São Paulo.
Destroços do avião da Voepass que caiu em um condomínio residencial em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. | Associação dos Familiares do Voo 2283

Representantes das famílias das 62 vítimas da queda do voo 2283 da Voepass tiveram acesso, pela primeira vez, à transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave nos instantes que antecederam o acidente. O conteúdo faz parte do laudo pericial elaborado pela Polícia Federal e foi apresentado durante uma reunião realizada em Campinas (SP), marcando uma nova etapa da investigação criminal sobre a tragédia.

As conversas da cabine eram aguardadas pelos familiares desde o início das investigações, por poderem ajudar a esclarecer os momentos finais do voo e confirmar detalhes importantes para a apuração. Entre os pontos analisados está o funcionamento do sistema de degelo da aeronave, uma das principais linhas investigativas desde a queda do avião. Os familiares optaram por ler apenas a transcrição das conversas, sem ouvir os áudios gravados na caixa-preta. 

Além da transcrição, os representantes da associação tiveram acesso aos principais pontos do laudo elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística, documento que embasa a fase final do inquérito conduzido pela Polícia Federal.

Segundo os advogados que acompanham o caso como assistentes de acusação, a investigação está na reta final e deverá ser concluída nos próximos 30 dias. A expectativa é que o relatório seja encaminhado ao Ministério Público Federal e possa resultar no indiciamento de pessoas que eventualmente tenham responsabilidade criminal pelo acidente. 

O advogado Luciano Katarinhuk afirmou que os elementos reunidos ao longo da investigação apontam para possíveis indiciamentos e destacou que algumas pessoas ouvidas inicialmente apenas como declarantes poderão passar à condição de investigadas. Segundo ele, o objetivo das famílias é que todos os responsáveis sejam identificados e respondam criminalmente pelos fatos. 

A vice-presidente da associação dos familiares, Adriana Ibba, mãe de Liz, a vítima mais jovem da tragédia, afirmou que as famílias esperam que a responsabilização não recaia exclusivamente sobre os pilotos. Segundo ela, caso a investigação confirme falhas de outros envolvidos, essas pessoas também deverão responder pelos atos praticados.

Já a presidente da associação, Fátima Albuquerque, destacou que o conteúdo do relatório técnico confirmou informações que vinham sendo acompanhadas pelas famílias ao longo da investigação. Ela ressaltou que o trabalho da Polícia Federal foi baseado em provas técnicas e que, com a conclusão do inquérito, caberá ao Ministério Público Federal e à Justiça dar continuidade ao processo para definir eventuais responsabilidades. 

O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024, quando o ATR 72-500 da Voepass, que fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), caiu em um condomínio residencial em Vinhedo, no interior de São Paulo. As 62 pessoas que estavam a bordo morreram. Além da investigação criminal conduzida pela Polícia Federal, o caso também é apurado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), responsável pela investigação técnica destinada a identificar as causas do acidente e contribuir para a prevenção de novas ocorrências.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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