A família do piauiense Francisco das Chagas Fontenele acusa a Polícia Militar de São Paulo de matar o trabalhador com tiro de fuzil na barriga durante ação num baile funk no Jardim Macedônia. O caso aconteceu na manhã de sábado (14).
Os policiais militares alegam que revidaram disparos feitos por criminosos no local. Sete pessoas foram baleadas e duas morreram na ocorrência.
Eu quero que ele perca a patente dele porque o que ele fez não tem justificativa com baile nenhum. Meu pai morreu com tiro de fuzil, falou filha no velório do pai, à TV Globo.
Francisco foi enterrado nesta segunda-feira (16) no Cemitério Jardim da Paz, em Embu da Artes.
O CRIME
Policiais militares foram acionados para atender uma ocorrência de “pancadão” na Rua Póvoa de Varzim, após moradores denunciarem o barulho excessivo da música na comunidade. Durante o patrulhamento no local, segundo a Polícia Militar, as equipes tentavam verificar a situação quando a ocorrência evoluiu para um confronto armado.
De acordo com a corporação, os policiais teriam sido surpreendidos por disparos efetuados inicialmente por um homem que estava em uma motocicleta com placa adulterada. Os agentes afirmaram que reagiram aos tiros para se defender, o que resultou em um intenso tiroteio na região.
Durante a troca de tiros, um dos suspeitos de ter atirado contra os policiais foi baleado. O condutor da motocicleta, que levava uma mulher na garupa, teria fugido do local e abandonado a passageira ferida, além de deixar cair um revólver calibre 32 com numeração raspada, conforme relato da Polícia Militar.
QUEM ERA O PIAUIENSE?
Francisco era casado havia seis meses, deixa quatro filhos, a esposa e duas netas. Ele seguia para o trabalho na ocasião e não tinha envolvimento com nada. Além de Francisco, Kauan Gabriel Cavalcante Lima, de 22 anos, morreu com um tiro no peito. Kauan estava no "pancadão" durante a suposta troca de tiros entre PM e bandidos. Ele foi apontado pelos agentes como um dos dois rapazes que atiraram nos policiais.
Mais quatro pessoas foram baleadas durante o tiroteio. São três homens e uma garota, com idades entre 19 a 26 anos. O caso foi registrado como resistência, homicídio decorrente de intervenção policial e tentativa de homicídio no 47º Distrito Policial (DP), Capão Redondo. Por causa da suspeita do envolvimento dos policiais militares nas mortes, a ocorrência será investigada pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).