- Ex-gerentes do Banco do Brasil manipularam 63 contas inativas, incluindo beneficiários do INSS e falecidos, causando prejuízo de R$ 4,4 milhões.
- Operação Desfalque cumpriu mandados em Teresina e Goiânia, apreendendo carros, notebooks e 38 cartões de terceiros.
- Os suspeitos alteravam dados cadastrais e realizavam saques usando câmeras de segurança, aproveitando a inatividade das contas.
- A esposa de um dos ex-gerentes participava ativamente do esquema, e o banco foi identificado como vítima da corrupção.
- Investigação iniciada em 2025 foi viabilizada com quebra de sigilo bancário, e dados dos aparelhos apreendidos serão analisados.
Os ex-gerentes do Banco do Brasil teriam manipulado 63 contas correntes de clientes de diversas regiões do Brasil, segundo a delegada Bernadete Santana, da Delegacia de Combate à Corrupção (DECCOR). Ela ressaltou que os alvos eram contas sem movimentação financeira recente, sendo a maior parte de inativos, beneficiários do INSS e de pessoas já falecidas. O prejuízo estimado é de cerca de R$ 4,4 milhões.
Ambos foram alvos da Operação Desfalque, na manhã desta quarta-feira (28), em Teresina e Goiânia (GO). Eles eram ex-funcionários de uma unidade da instituição em Teresina, capital do Piauí, mas as contas pertenciam a titulares de todo o país.
Durante coletiva de imprensa, a delegada informou que, com o acesso privilegiado que eles tinham, os suspeitos teriam feito alterações cadastrais, como mudança de senha, emissão de novos cartões e alteração de senhas, além de realizar saques em caixas de autoatendimento.
Com esse acesso, eles mesmos faziam essas alterações, a gente tem a, a, a comprovação disso e posteriormente também realizavam os saques, por meio de algumas imagens de câmeras de segurança, nós conseguimos captar essas informações, explicou.
A autoridade ressaltou que eles aproveitavam da situação das contas para realizar o esquema:
Como não havia essa movimentação, esse padrão que a gente verificou, eles utilizavam essas informações dessa falta de movimentação das contas bancárias e realizavam essas alterações cadastrais para posteriormente os saques.
As investigações iniciaram em 2025, mas, conforme a delegada, por se tratar de uma apuração sensível que demandou a representação pela quebra de sigilo bancário, as buscas foram viabilizadas este ano. A apuração também identificou que a esposa de um dos ex-gerentes participava ativamente do esquema.
OPERAÇÃO
Nesta quarta-feira (28), a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em três alvos:
Dois em Teresina, sendo uma residência e uma empresa do ramo de peças;
Um em Goiânia.
Durante a ação, foram apreendidos:
Dois carros;
Notebooks e aparelhos celulares;
38 cartões de propriedade de terceiros, incluindo cartões das contas que foram manipuladas.
Segundo a delegada, ambos foram demitidos da instituição financeira ainda no ano de 2025. “Não foi necessária a, a solicitação da representação pela prisão deles, em razão dessa demissão”, completou.
O próximo passo das diligências consiste na extração e análise dos dados dos aparelhos apreendidos para identificar se houve a participação de outras pessoas no esquema criminoso. A delegada ainda frisou que o banco seria a vítima e que eles denunciaram o caso.
O banco é o responsável por guardar esses valores dos titulares da conta, e possivelmente fazer o monitoramento dessas contas, dar todo da segurança com base nisso. A vítima dessa investigação, no caso, foi a instituição financeira, foi ela que fez a representação criminal dessa situação para que fosse averiguado o que tinha de fato de crime de corrupção, finalizou.