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Envenenamentos, prisão de vereadora, morte de Niède Guidon e mais: acontecimentos que marcaram o ano no Piauí - Envenenados de Parnaíba: uma sequência de mortes, erros e acusações

Envenenamentos, prisão de Tatiana Medeiros e mais: os acontecimentos que marcaram o ano no Piauí - Envenenados de Parnaíba: uma sequência de mortes, erros e acusações

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Envenenados de Parnaíba: uma sequência de mortes, erros e acusações

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O ano de 2025 começou de forma trágica em Parnaíba, no litoral do Piauí. No dia 1º de janeiro, nove pessoas de uma mesma família passaram mal após consumirem um baião de dois preparado na vida de ano. Em poucas horas, o que era uma confraternização familiar transformou-se em uma das maiores tragédias no estado.

As vítimas apresentaram sintomas graves de intoxicação. Cinco pessoas morreram nos dias seguintes:

    •    Manoel Leandro da Silva, 18 anos;

    •    Francisca Maria da Silva, 32 anos;

    •    Igno Davi da Silva, 1 ano e 8 meses;

    •    Lauane da Silva, 3 anos;

    •    Maria Gabriela da Silva, 4 anos.

Outras quatro pessoas sobreviveram, entre elas uma adolescente de 17 anos e um menino de 11 anos. O Instituto Médico Legal (IML) confirmou que a comida estava contaminada com terbufós, um agrotóxico de uso ilegal, conhecido como “chumbinho”, substância que ataca o sistema nervoso central e pode causar convulsões, falência respiratória e morte.

A morte da vizinha Maria Jocilene

Entre os intoxicados estava Maria Jocilene da Silva, vizinha e ex-nora de Maria dos Aflitos da Silva. Ela chegou a receber alta hospitalar, mas voltou a ser internada cerca de 20 dias depois e morreu no dia 22 de janeiro de 2025, também por suspeita de envenenamento. O óbito passou a integrar oficialmente o inquérito policial.

Quem são os acusados

Após meses de investigação, a Polícia Civil do Piauí indiciou o casal:

    •    Francisco de Assis Pereira da Costa, padrasto das vítimas;

    •    Maria dos Aflitos da Silva, avó e mãe de parte das vítimas.

Segundo o delegado Abimael Silva, responsável pelo caso, o casal agiu de forma premeditada, com motivações consideradas egoístas, ligadas a conflitos familiares e questões financeiras. Ao todo, eles foram indiciados por 23 crimes, entre homicídios, feminicídios, tentativas de homicídio, fraude processual e denunciação caluniosa.

Os crimes atribuídos a Francisco de Assis

Francisco de Assis foi indiciado por:

    •    Quatro homicídios:

    •    Manoel Leandro da Silva (18 anos);

    •    Igno Davi da Silva (1 ano e 8 meses);

    •    Ulisses Gabriel da Silva (morto em agosto de 2024);

    •    João Miguel da Silva (morto em agosto de 2024);

    •    Três feminicídios:

    •    Francisca Maria da Silva;

    •    Maria Gabriela da Silva;

    •    Lauane da Silva;

    •    Duas tentativas de feminicídio:

    •    Maria Jocilene da Silva;

    •    Uma adolescente de 17 anos;

    •    Uma tentativa de homicídio:

    •    Um menino de 11 anos, filho de Maria Jocilene;

    •    Fraude processual, por entregar à polícia um saco de cajus alegando que estariam envenenados, o que foi descartado por perícia.

Os crimes atribuídos a Maria dos Aflitos

Maria dos Aflitos foi indiciada por:

    •    Quatro homicídios:

    •    Manoel Leandro da Silva;

    •    Ulisses Gabriel da Silva;

    •    João Miguel da Silva;

    •    Igno Davi da Silva;

    •    Quatro feminicídios:

    •    Francisca Maria da Silva;

    •    Maria Jocilene da Silva;

    •    Maria Gabriela da Silva;

    •    Lauane da Silva;

    •    Duas tentativas de feminicídio;

    •    Uma tentativa de homicídio;

    •    Denunciação caluniosa, por acusar falsamente a vizinha Lucélia Maria da Conceição.

A acusação injusta contra Lucélia

Após as mortes de Ulisses Gabriel e João Miguel, em agosto de 2024, Lucélia Maria foi presa preventivamente e permaneceu detida por cinco meses. Posteriormente, exames periciais comprovaram que os cajus não continham veneno, levando à sua soltura em 15 de janeiro de 2025. O caso é citado pela polícia como um erro grave provocado por falsa acusação.

Recuando a 2024: as primeiras mortes

A investigação concluiu que o crime não começou em 2025. Em agosto de 2024, os irmãos Ulisses Gabriel da Silva e João Miguel da Silva, filhos de Francisca Maria, morreram em circunstâncias semelhantes, o que reforçou a tese de uma sequência de envenenamentos ao longo de meses.

Segundo o delegado Abimael Silva, os conflitos se intensificaram após Francisca Maria se mudar com os filhos para a casa da mãe e do padrasto, em julho de 2024, depois da morte do marido. A convivência em um imóvel pequeno, aliada a dificuldades financeiras, teria agravado as tensões familiares.

Situação atual e julgamento

O casal foi preso e teve a prisão convertida em preventiva e foi transferido para Teresina, onde permanece detido. Caso sejam condenados, as penas podem ultrapassar 240 anos de prisão.

O processo segue em tramitação, e Francisco de Assis Pereira da Costa e Maria dos Aflitos da Silva devem ser julgados pelo Tribunal do Júri em 2026, quando a Justiça decidirá o desfecho.

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