- A empresária Carolina Sthela foi presa em Teresina na quinta-feira (7) por agredir uma empregada doméstica grávida.
- A vítima, Samara Regina, relatou ter sido puxada pelos cabelos e agredida com socos e murros enquanto tentava proteger a barriga.
- Carolina Sthela responde a mais de dez processos, incluindo um por calúnia em que foi condenada a seis meses de prisão em regime aberto.
- A empresária foi encaminhada para a sede da Secretaria de Segurança Pública do Piauí e ficará à disposição da Justiça.
A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi presa na manhã desta quinta-feira (7), em um posto de gasolina no bairro São Cristovão, na zona Leste de Teresina. Ela foi denunciada por agredir uma empregada doméstica, que estava grávida de cinco meses, em Paço do Lumiar, na Grande São Luís, no Maranhão.
A Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) recebeu informações de que a suspeita estava na capital piauiense. Informações apontam que, anteriormente, ela estava na casa de um familiar no bairro Matinha, na zona Norte. No entanto, ao chegarem ao local, os policiais constataram que ela havia fugido.
“A Polícia Civil do Maranhão, através da SEIC, estava cumprindo mandados judiciais em São Luís, entre eles o mandado de prisão dessa empresária, mas ela não foi localizada. Eles entraram em contato conosco na manhã de hoje, repassaram informações, e nossas equipes realizaram levantamentos que confirmaram que ela estava em Teresina. Prontamente fechamos o cerco e realizamos a prisão”, afirmou superintendente de Operações Integradas da SSP-PI, delegado Matheus Zanatta.
O diretor de Inteligência da SSP-PI, delegado Yan Brayner, destacou a importância da atuação integrada entre os estados. “Foi uma ação coordenada entre os setores de inteligência e as equipes operacionais, que possibilitou identificar a movimentação da investigada e efetuar a prisão com agilidade. Essa integração entre os estados fortalece o enfrentamento à criminalidade e garante maior efetividade no cumprimento das decisões judiciais”, finalizou.
Após a prisão, a empresária foi encaminhada para a sede da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, onde ficará à disposição da Justiça. Um helicóptero da Polícia Militar do Maranhão foi enviado à Teresina para recambiar a presa . Ainda nesta quinta-feira (7), a justiça havia determinado a prisão da empresária pelos crimes de tortura, lesão corporal, ameaça e constrangimento ilegal.
DEFESA DISSE QUE ELA TERIA SE DESLOCADO PARA TERESINA PARA DEIXAR O FILHO
A defesa de Carolina havia alegado que ela pretendia comparecer voluntariamente à delegacia. Nas redes sociais, a advogada Nathaly Moraes, que representa a empresária informou que ela vai responder pelo crime:
"Ela vai responder, conforme eu havia colocado em nota, ela vai responder nos termos e vai cumprir as medidas judiciais que lhe foram impostas e a defesa segue atuando. Ela foi presa em Teresina e o mandado de prisão está sendo cumprido neste momento", disse a advogada.
Ainda conforme a advogada, Carolina Sthela possui um filho de seis anos e não possui familiares em São Luís, razão pela qual teria se deslocado até Teresina para deixar a criança.
"Não havia ninguém com quem pudesse deixar a criança e foi necessário levar a criança para que ela pudesse ficar ao cuidado de pessoas da confiança. [...] Ela não tem nenhum interesse em se omitir, muito pelo contrário, ela vai cumprir as determinações judiciais, pagar pelo que de fato deve dentro do processo legal e fazer as reparações tanto na esfera cível quanto na esfera criminal", afirmou a defesa.
ENTENDA O CASO
Samara Regina, de 19 anos e agora grávida de seis meses, denunciou ter sido violentamente agredida pela empresária no dia 17 de abril. Em seu relato, a vítima disse que as agressões ocorreram após ela ser acusada de roubar um anel de Carolina.
O caso veio à tona após ela procurar um amigo delegado. Em entrevista à TV Mirante, a jovem relatou que foi puxada pelos cabelos, derrubada no chão e agredida com socos e murros, enquanto tentava proteger a barriga. O anel foi encontrado depois na casa, mas, segundo a vítima, as agressões continuaram.Ela também afirmou ter sido ameaçada de morte caso denunciasse o caso à polícia.
Quatro policiais militares foram afastados após, no dia do ocorrido, irem até a residência da empresária para atender à ocorrência de agressão, pois, na ocasião, a suspeita não foi conduzida. O caso é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy.
A polícia informou que a empresária responde a mais de dez processos. Em um deles, de 2024, foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá de roubar uma pulseira de ouro. A pena de seis meses em regime aberto foi substituída por serviços comunitários, além de indenização de R$ 4 mil por danos morais.
NOTA DA DEFESA
Diante das publicações e comentários que vêm circulando na imprensa e nas redes sociais a respeito do IPL nº 066/2026 — 21º Distrito Policial do Araçagy/MA, venho me manifestar com serenidade e respeito.
Em primeiro lugar, afirmo que respeito profundamente a atuação das autoridades e que jamais me neguei a colaborar com a apuração dos fatos. Minha defesa já compareceu à delegacia, solicitou acesso aos autos e adotará todas as providências necessárias para que minha versão seja apresentada no momento adequado, de forma responsável e dentro do procedimento legal.
Também registro que repudio qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres, gestantes, trabalhadoras e pessoas em situação de vulnerabilidade. Justamente por reconhecer a gravidade do assunto, entendo que tudo deve ser apurado com seriedade, equilíbrio, provas e respeito ao devido processo legal.
Minha família, incluindo meu marido e meu filho, vem sofrendo ataques e ameaças. Isso não contribui para a verdade, não ajuda a investigação e apenas aumenta o sofrimento de todos os envolvidos.
Requeiro que não haja julgamento antecipado e que o inquérito seja conduzido em observância aos princípios constitucionais. A investigação ainda está em andamento, e a verdade deve ser esclarecida pelas vias legais, jamais por ameaças, ofensas, exposição de familiares ou linchamento virtual.
Seguirei à disposição das autoridades, por meio da minha defesa, confiando que os fatos serão esclarecidos com responsabilidade, respeito, técnica e justiça.
Paço do Lumiar - MA, 05 de maio de 2026.
Carolina Sthela Ferreira dos Anjos.