- Jornalista lamenta morte da filha assassinada em 2022, que será julgada após quatro anos de espera.
- Acusadas de matar Tainah são julgadas em júri popular nesta quarta-feira na Teresina.
- Crime ocorreu em 2022, com Tainah morta após ser esfaqueada 13 vezes em casa de uma das acusadas.
- Família espera justiça e relata dor de perder filho em circunstâncias trágicas e violentas.
- Julgamento foi antecipado pela Justiça, mas motivo não foi divulgado publicamente.
“É uma dor muito grande”, disse o jornalista Marcelo Rocha ao falar da perda da filha, Tainah Luz Brasil Rocha, assassinada em maio de 2022. Quatro anos após o crime, acontece nesta quarta-feira (9) o júri popular de Fernanda Maria Lobão Ayres e Geovana Thaís Vieira da Silva, acusadas de matar a analista judiciária.
A sessão começa às 9h, na 3ª Vara do Tribunal Popular do Júri da Comarca de Teresina. Em entrevista à Rede Meio Norte, Marcelo Rocha relembrou o dia do crime, quando foi avisado por outro filho de que Tainah havia sido morta com cerca de 13 facadas. Ele ainda destacou que a família cobra a condenação das acusadas.
A gente fica imaginando o que pode ter ocorrido. Duas pessoas contra uma e a Tainah foi a que veio a ser a prejudicada e a família também. Há 4 anos nós esperamos que justiça seja feita, que tenha um julgamento, que as acusadas sejam ou não condenadas, mas seja a justiça dos homens, só a justiça de Deus vai acontecer, disse.
RELEMBRE O CRIME
Tainah Brasil Rocha morreu em 16 de maio de 2022, no Hospital de Urgência de Teresina, após ser esfaqueada 13 vezes no dia anterior, na casa de Fernanda Ayres, no bairro Mocambinho, na zona Norte de Teresina. O laudo pericial registrou ferimentos nas costas, coxas, antebraço, axila e tórax.
Vizinhos ouviram os gritos da vítima e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Fernanda Ayres e Geovana da Silva, que eram namoradas na época, foram denunciadas pelo Ministério Público por homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
O que a gente sabe das testemunhas, das pessoas que estavam próximas, por exemplo, tinha uma vizinha que de madrugada, por volta de 3 horas da manhã, ouvia gritos de uma mulher na rua. Ela informou que achava que era problema de marido e mulher, de namorados, tal, e medo ela não abriu a porta.
Conforme Marcelo, a mulher disse que os gritos se itensificaram. Ao abrir a porta acompanhada de uma familiar, ela encontrou Fernanda sentada na calçada, que informou que que Tainá estava dentro da residência.
Quando entrou, a Tainá tava no chão, sangrando muito, toda perfurada, e pediu: "Me tirem daqui que elas querem me matar". Elas começaram a ligar para SAMU, para a polícia. Quando chegou a polícia, SAMU, a outra acusada, Giovana, tava chegando na rua, parece que ela tinha ido no hospital. Depois a gente conseguiu as imagens, ela tinha ido no hospital, pedir ajuda, mas foram levadas as duas feridas, Tainá e a outra, para o hospital e a Giovana não foi levada para a polícia, contou.
As duas acusadas chegaram a ser liberadas em audiência de custódia pelo fato por serem estudantes, possuírem residência fixa e não terem antecedentes criminais. "Na segunda de madrugada a os os médicos informaram deram óbito de Tainá. E de lá para cá a família vive aguardando ansiosa que tenha justiça, que haja o julgamento. Vamos ver hoje o que vai acontecer", pontuou.
Durante o processo, Fernanda apresentou sua versão sobre o crime e afirmou suspeitar que a morte de Tainah Brasil não estaria relacionada às agressões. As versões das acusadas serão analisadas pelos jurados.
Segundo o pai, a filha havia concluído o curso de direito e residia em Curitiba. Ela estava em Teresina passando férias e conforme o jornalista, era constume ela reencontrar colegas de ensino médio, grupo do qual Fernanda fazia parte.
Nessas visitas, Tainah infelizmente teve essa fatalidade, que a família sente muito. Só nós sabemos o que é perder. Acho que você, que é pai, que é mãe, que tá em casa, que e peço que nunca aconteça isso com você, é você ter a perda de um filho. A tradição, o comum, é os filhos enterrarem os pais. Agora o pai enterrar o filho, ainda mais da forma como Tainah foi morta, é uma dor muito grande que só quem passar por isso sabe, relatou.
Julgamento antecipado
O julgamento, inicialmente marcado para 21 de outubro, foi antecipado pela Justiça para esta quarta-feira (9). O motivo da antecipação não foi informado publicamente.