Para John Ryan, autor do livro America's Trial: Torture and the 9/11 Case on Guantanamo Bay, a decisão recente representa um problema importante para os promotores, já que uma das principais evidências contra Mohammed deixou de poder ser utilizada.
Ainda existem outras provas, como interceptações telefônicas e gravações secretas. No entanto, a defesa pode questionar a admissibilidade desse material.
"A equipe legal de Mohammed e as equipes de defesa dos demais acusados apresentarão moções para tentar excluir também algumas destas classes de provas", explica Ryan.
Durante o governo de George W. Bush, os Estados Unidos admitiram o uso das chamadas "técnicas de interrogatório aprimoradas". A administração afirmava que os métodos permitiam obter informações importantes e não os classificava como tortura.
A prática foi proibida por Barack Obama logo no início de seu governo.
Para os familiares, os efeitos dessas decisões continuam sendo sentidos décadas depois.
"Se não os tivéssemos torturado, as implicações legais teriam sido muito mais simples", afirma Gerhardt. "Provavelmente, eles teriam sido condenados à morte há muito tempo."
"Não posso controlar o que o governo fez e precisamos conviver com as consequências."