- A empresária Carolina Estela agrediu sua empregada doméstica Samara Regina em Paço do Lumiar (MA), no dia 17 de abril.
- A vítima foi torturada física e psicologicamente após ser acusada de furtar um anel, que não existia na casa da agressora.
- Quatro policiais militares envolvidos no caso foram afastados das funções por terem recebido áudios da empresária descrevendo as agressões.
- A Comissão de Direitos Humanos da OAB do Maranhão pediu a prisão preventiva de Carolina Estela Ferreira dos Anjos, investigada por tortura e violência contra a empregada doméstica.
A empregada doméstica Samara Regina denunciou ter sido agredida pela própria patroa, a empresária Carolina Estela. O caso ocorreu no dia 17 de abril e só veio à tona após a vítima — grávida de quase seis meses — procurar um amigo delegado. Três semanas depois, ela ainda está abalada pelos traumas.
Segundo a polícia, o caso começou após o desaparecimento de um anel na casa da agressora, em Paço do Lumiar (MA). A vítima foi torturada física e psicologicamente após ser acusada de furtar um anel. Mesmo negando a acusação, ela foi agredida com socos, tapas e ameaçada com uma arma de fogo, que chegou a ser colocada em sua boca. A violência durou cerca de uma hora.
Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros... foi sem parar. Eles não se importavam, disse a vítima.
PEDIDO DE PRISÃO
Nesta quarta-feira (6), a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Maranhão informou que pediu à Polícia Civil a prisão preventiva de Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, investigada por tortura e violência contra a empregada doméstica.
PMS AFASTADOS
Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência de agressão, envolvendo a empresária foram afastados das funções, de acordo com a Polícia Civil do Maranhão (PC-MA). O afastamento ocorreu após a divulgação de áudios enviados pela própria empresária em um grupo de mensagens, onde ela descreve as agressões que fez contra a vítima e afirma que não foi levada à delegacia, pois um dos policiais envolvidos na ocorrência seria seu amigo.
Parou uma viatura no meio da rua, eles vieram aqui de manhã. Mas veio um policial que me conhecia. Sorte minha, né? E sorte dela também. Aí eu expliquei para ele o que tinha acontecido. Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, eu teria que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas’. Aí eu disse: ‘era para ter ficado era mais, não era para ter saído viva, afirmou Carolina.
Por meio de nota, a SSP afirmou que o inquérito sobre a agressão contra a vítima se encontra em fase adiantada e que, neste momento, "novas informações não serão divulgadas para não comprometer o andamento das investigações e os procedimentos em curso".
EMPRESÁRIA COM HISTÓRICO
A empresária Carolina já havia sido condenada em outro caso por falsa acusação de roubo contra uma ex-babá.
A condenação ocorreu em outubro de 2025, pelo crime de calúnia, após Carolina acusar a funcionária de roubar uma pulseira de ouro do filho. Apesar de a sentença prever prisão, a pena foi substituída por prestação de serviços à comunidade, por se tratar de ré primária e com condenação inferior a um ano.