- 11 advogados foram presos em operação do Ministério Público do Ceará, acusados de atuar como mensageiros de facções criminosas.
- A operação "Mensageiros do Crime" identificou uma rede de comunicação estruturada que utilizava advogados para transmitir ordens de chefes do crime.
- Foram expedidos 29 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 20 milhões das contas dos investigados.
- Investigações iniciaram em novembro de 2025, após autorização do Tribunal de Justiça para captação de imagens e áudios em parlatórios do presídio.
- Os chefes de facção presos continuavam exercendo funções relevantes e visitavam frequentemente os mesmos detentos, com volume de atendimentos incompatível com a assistência regular.
Na manhã desta terça-feira (30), 11 advogados foram presos durante uma operação do Ministério Público do Ceará. Os alvos são suspeitos de atuar como mensageiros de facções criminosas. Uma suspeita segue foragida, com domicílio na capital paulista.
Batizada de “Mensageiros do Crime”, a operação identificou uma "rede de comunicação estruturada" que utilizava advogados para transmitir ordens de chefes do crime presos para integrantes das facções, dentro e fora do Ceará. Foram expedidos 29 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão, e o bloqueio de R$ 20 milhões das contas dos investigados, além da apreensão de bens.
Um veículo Range Rover blindado foi apreendido com um dos chefes de facção preso. A operação também apreendeu celulares, notebooks e joias dos demais alvos.
INVESTIGAÇÃO
As investigações tiveram início em novembro de 2025, após decisão do Tribunal de Justiça do Estado que autorizou a captação de imagens e áudios nos parlatórios do presídio de segurança máxima. A análise do material revelou indícios de que determinados advogados, sob o aparente exercício da assistência jurídica, estariam atuavam em favor de organizações criminosas.
Apontaram ainda um padrão reiterado de condutas criminosas entre detentos e advogados, com uso de linguagem codificada para tratar de assuntos ilícitos. As comunicações incluíam repasse de ordens e orientações a familiares, outros presos e integrantes em liberdade, com finalidades como reorganização de facções, expansão territorial, cooptação de membros, aquisição de armas e circulação de drogas.
As apurações também indicaram que, mesmo presos, os chefes de facção continuavam exercendo funções relevantes dentro das organizações criminosas. Também foi identificado que esses profissionais visitavam os mesmos detentos com frequência elevada e realizavam grande volume de atendimentos, em quantidade considerada incompatível com o padrão regular de assistência jurídica, conforme dados do Sistema Integrado de Gestão Penitenciária.