- Policial militar Raphael Sampaio foi encontrado morto e carbonizado em carro em chamas na região de Fortaleza.
- Prisão de policial militar Júlia Natália e marido foram confirmadas, mas motivação do assassinato ainda não foi divulgada.
- Relacionamento extraconjugal entre Raphael e Júlia suscitou suspeitas, mas polícia não confirmou ligação com o crime.
- Investigadores mudaram a versão do caso após descobrir contradições em depoimentos e imagens de Júlia.
- Veículo apreendido próximo a Fortaleza será analisado para esclarecer participação no assassinato do policial.
A morte do soldado Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, ganhou novos desdobramentos nos últimos dias. O policial militar foi encontrado morto e carbonizado dentro de um carro na Região Metropolitana de Fortaleza, no último dia 11 de agosto.
Desde então, as investigações resultaram na prisão de uma policial militar que trabalhava no mesmo batalhão da vítima, na prisão do marido dela e na apreensão de um veículo que pode ter sido utilizado no crime.
Apesar dos avanços nas investigações, a Polícia Civil ainda não divulgou oficialmente a motivação do assassinato nem detalhou a participação dos suspeitos.
Como o corpo do policial foi encontrado?
O corpo de Raphael Sampaio foi encontrado dentro de um carro em chamas no bairro Ancuri, na divisa entre Fortaleza e Itaitinga.
De acordo com a perícia inicial, o soldado foi atingido por disparos de arma de fogo antes de o veículo ser incendiado.
O Corpo de Bombeiros foi acionado após uma testemunha perceber o automóvel em chamas. Durante o atendimento da ocorrência, os militares localizaram o corpo no interior do veículo.
Raphael ingressou na Polícia Militar do Ceará em 2022 e atuava na 2ª Companhia do 16º Batalhão da PM.
Quem são os suspeitos?
Até o momento, duas pessoas foram presas por suspeita de envolvimento no crime: a policial militar Júlia Natália Girão Gomes e o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior.
Júlia teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Já Antoneudo teve a prisão em flagrante relaxada durante a audiência de custódia, mas permaneceu preso após a decretação da prisão temporária.
A policial ingressou na corporação após o concurso realizado em 2021 e convocado em 2022. Ela também responde a um processo relacionado a um suposto esquema de fraudes em aplicativos de transporte.
Antoneudo é apontado pelas investigações como um dos articuladores do esquema e responde por crimes como estelionato, falsa identidade, receptação, posse irregular de arma de fogo e organização criminosa.
Relação extraconjugal pode ter ligação com o caso?
Até o momento, a polícia não apresentou uma motivação oficial para o assassinato.
No entanto, familiares de Raphael afirmaram que o policial mantinha um relacionamento extraconjugal com Júlia Natália.
Segundo relatos da família, o relacionamento existia desde março deste ano. A informação foi confirmada pela tia da vítima, que afirmou acreditar que o caso pode ter relação com o homicídio.
Apesar da suspeita levantada pelos familiares, a polícia ainda não confirmou nenhuma linha de investigação relacionada ao relacionamento entre os dois policiais.
O que chamou a atenção dos investigadores?
Inicialmente, Júlia foi considerada uma possível vítima do crime.
Ela foi encontrada em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, com as mãos amarradas e pedindo ajuda a moradores.
Em depoimento, a policial afirmou que havia deixado o trabalho na companhia de Raphael e que os dois teriam sido abordados por criminosos durante o trajeto.
Segundo o relato, o soldado foi morto e ela teria sido levada pelos suspeitos.
No entanto, imagens obtidas durante a investigação passaram a contradizer a versão apresentada pela policial.
Uma gravação mostra Júlia na oficina do marido no mesmo período em que ela afirmou estar em poder dos criminosos. Outro vídeo registra o casal deixando a filha na escola no horário em que a policial alegou estar amarrada em uma área de mata.
As contradições levaram os investigadores a mudarem o entendimento inicial do caso, transformando a policial de vítima em suspeita.
Por que o advogado da policial foi detido?
Outro episódio que chamou a atenção durante as investigações foi a detenção do advogado Walmir Medeiros.
Ele foi conduzido à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) após tentar entregar um aparelho celular à policial presa.
O advogado negou a acusação e afirmou que esqueceu o próprio celular sobre uma mesa durante o atendimento à cliente. Segundo ele, Júlia teria utilizado o aparelho para entrar em contato com a sogra.
Após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), ele foi liberado.
Como estão as investigações?
Na última sexta-feira (14), a polícia apreendeu um carro que pode ter sido utilizado no assassinato do soldado.
O veículo foi localizado próximo à Avenida Washington Soares, no bairro Messejana, em Fortaleza.
O automóvel passou por perícia e foi recolhido para auxiliar nas investigações. Até o momento, a polícia não informou quem é o proprietário do veículo nem qual teria sido a participação dele no crime.
O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública.