A investigação da Polícia Civil aponta que a bisavó da criança estuprada por cinco anos pelo vereador de Pirajuba, Antônio Tiveron Filho, conhecido como Toninho Mineiro (União Brasil), intermediava os abusos e recebia dinheiro para facilitar os crimes. O parlamentar, de 72 anos, foi preso na tarde de segunda-feira (13), durante o cumprimento de um mandado de prisão preventiva.
A ordem de prisão foi expedida pela Justiça da comarca de Conceição das Alagoas, após o investigado ser indiciado por estupro de vulnerável cometido de forma reiterada contra a menina, quando ela tinha entre 8 e 14 anos. Toninho Mineiro está preso na Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira, em Uberaba.
A bisavó, que não teve o nome e idade divulgados, morreu em decorrência de câncer em 2025. Em nota, o advogado do vereador, Geovane Soares, afirmou que está adotando todas as medidas legais cabíveis. Disse, ainda, que Toninho Mineiro nunca esteve envolvido ou foi investigado por qualquer delito.
Também em nota, a Câmara de Pirajuba afirmou que não compactua com qualquer conduta ilícita, prezando pela ética e cumprimento das leis. Ainda conforme o Legislativo, a assessoria jurídica analisa as medidas cabíveis. Leia as íntegras das notas ao fim da reportagem.
Bisavó trabalhava com o vereador
De acordo com o inquérito, os abusos aconteciam semanalmente e eram intermediados pela bisavó da vítima, que recebia dinheiro em troca. Segundo o delegado Bruno Vinícius Cordeiro Martins, a mulher trabalhava na casa do investigado e mantinha amizade com ele.
A investigação aponta ainda que a idosa também teria aliciado a própria neta — mãe da vítima — no passado. Conforme o delegado, a mãe da criança não mantinha convívio com a filha e não tinha conhecimento dos abusos.
Ainda segundo a investigação, a vítima era mantida em silêncio por meio de violência psicológica e ameaças de morte. Os abusos teriam cessado apenas quando, já na adolescência, a garota passou a resistir às imposições da bisavó e se recusou a continuar se encontrando com o vereador.
A investigação durou três meses e começou após uma denúncia anônima. Além dos abusos, a Polícia Civil apurou que Toninho Mineiro usava sua influência política e econômica para tentar interferir na rede de proteção à criança e ao adolescente.
Entre os episódios investigados estão tentativas de acesso a informações sigilosas, interferência no acolhimento institucional da jovem e ações para se antecipar à atuação policial, após o investigado tomar conhecimento das denúncias. Além da decretação da prisão preventiva, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros do vereador.