A morte do secretário de Administração de São Luís do Curu, Ricardo Abreu Barroso, ocorrida a tiros na manhã da última quinta-feira (19), está cercada por indícios de ameaças anteriores. De acordo com relatos da família à Polícia Civil, uma liderança ligada ao Comando Vermelho já vinha pressionando o grupo, exigindo interferência política para reduzir a presença da Polícia Militar no município.
INVESTIGAÇÃO APONTA MANDANTE
As apurações indicam que o homicídio teria sido determinado por Wesley Pereira Balbino, conhecido como “Guaxinim”, apontado como responsável pelo tráfico de drogas na cidade. Ele é identificado como integrante de destaque da facção criminosa e, segundo a polícia, está foragido no Rio de Janeiro, de onde teria coordenado o crime e mobilizado os executores.
PRESSÃO SOBRE A FAMÍLIA
Conforme depoimentos reunidos no inquérito, familiares do secretário relataram episódios de intimidação. Um dos filhos de Ricardo Abreu afirmou que Wesley passou a enviar mensagens exigindo interferência direta junto à administração municipal.
No relato prestado à polícia, ele declarou que Wesley "Guaxinim" passou a mandar mensagens para a família, exigindo que eles usassem sua influência na gestão municipal para impedir que os policiais do Raio continuassem atuando no município.
CONTEXTO DE REPRESSÃO POLICIAL
As investigações também destacam que, entre 2024 e 2025, diversas prisões de integrantes do grupo criminoso foram realizadas na cidade. A intensificação das ações policiais, especialmente por meio do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio), teria provocado o deslocamento de lideranças da facção, incluindo Wesley e seu irmão, Uesclei Pereira Balbino, conhecido como “Gringo”.
A suspeita é de que o grupo tenha associado a atuação das forças de segurança à influência política da família de Ricardo Abreu, o que teria motivado as ameaças.
TRAJETÓRIA POLÍTICA E REPERCUSSÃO
Ricardo Abreu Barroso ocupava a Secretaria de Administração do município e tinha forte presença na política local. Ele era pai do vereador Júnior Abreu, atual presidente da Câmara Municipal, além de tio do prefeito Tiago Abreu. O secretário também exerceu dois mandatos como vereador.
A ligação familiar com figuras centrais da gestão municipal reforça a linha investigativa de que o crime pode ter sido motivado por retaliação às ações de combate ao crime organizado na região.
CASO SEGUE EM APURAÇÃO
A Polícia Civil continua investigando o caso, com foco na captura dos envolvidos e na confirmação da participação de todos os suspeitos. A linha principal de apuração considera que o assassinato está diretamente ligado à atuação de facções criminosas e à pressão exercida sobre agentes públicos no município.