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Produtora diz que “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, custou R$ 75 milhões

No início deste mês, a empresa foi alvo de uma operação que investiga suspeitas de desvio de verba pública em São Paulo.

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  • A perícia da Go Up Entertainment estimou R$ 75 milhões no custo do filme "Dark Horse" sobre Jair Bolsonaro.
  • O laudo técnico apontou que os recursos financeiros utilizados foram de origem privada e rastreáveis, sem uso de recursos públicos.
  • A perícia não detalhou a origem dos recursos, citando cláusulas de confidencialidade na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
  • O filme "Dark Horse" pode ter sua estreia adiada após divulgação de áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Filme Dark Horse | Foto: Reprodução
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A perícia contratada pela Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, apontou que a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve custo estimado em R$ 75 milhões e não utilizou recursos públicos em sua produção.

No início deste mês, a empresa foi alvo de uma operação que investiga suspeitas de desvio de verba pública em São Paulo.

De acordo com o IPI (Instituto de Perícia Investigativa), responsável pelo laudo técnico, as despesas totais envolvendo as gravações no Brasil e nos Estados Unidos somam cerca de US$ 13 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 75 milhões.

O relatório, assinado pelo perito Anísio Costa Castelo Branco, afirma ainda que os valores foram movimentados por meios formais e rastreáveis, sem indícios de uso de recursos públicos, incentivos estatais ou da Lei Rouanet.

“Quanto à origem dos recursos financeiros, a perícia constatou que os ingressos vinculados ao projeto possuem origem privada, comprovada por contratos de investimento, extratos bancários, documentos de remessa e demais registros financeiros disponibilizados para análise”, diz o documento.

Segundo o instituto, a análise levou em conta entradas e saídas financeiras a partir de extratos bancários da produtora, incluindo gastos com produção, equipe técnica, fornecedores, logística, hospedagem, alimentação, segurança, infraestrutura e equipamentos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

O relatório, no entanto, não detalha publicamente a origem dos recursos, alegando que os contratos analisados estão protegidos por cláusulas de confidencialidade previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A perícia também cita o contrato firmado entre a produtora e o fundo Havengate, assinado em 24 de fevereiro de 2025, responsável pelo investimento que totaliza os US$ 13 milhões utilizados na produção.

O Havengate é citado como um dos fundos investigados em apurações que envolvem o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Polícia Federal ainda analisa formas de acessar informações sigilosas do fundo.

“Dark Horse” é uma cinebiografia inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro. Segundo o laudo, trata-se de uma obra audiovisual de caráter ficcional, ainda que livremente baseada em fatos ligados ao ex-presidente.

O termo em inglês “dark horse” é usado para designar um competidor com poucas chances de vitória que pode surpreender, referência associada à eleição de Bolsonaro em 2018.

A estreia do filme pode ser adiada. Inicialmente prevista para 11 de setembro, a produção avalia alterar a data de lançamento para depois do período eleitoral.

A obra vinha sendo aguardada por apoiadores do ex-presidente, que viam no filme uma possível peça de apoio durante a campanha. No entanto, o lançamento passou a ser questionado após a divulgação de áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Nas gravações, o senador Flávio Bolsonaro menciona negociações financeiras ligadas à produção do filme. Apesar de o laudo indicar gasto de R$ 75 milhões, teria havido tratativas para um repasse de até US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões.

Além disso, levantamento da Folha de S.Paulo, confirmado pela CNN Brasil, aponta que deputados estaduais de São Paulo destinaram ao menos R$ 700 mil a entidades relacionadas à produtora.

Em junho, a Polícia Civil deflagrou a Operação Wi-Fi Livre para investigar possíveis irregularidades envolvendo a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil, ligado à responsável pela produtora Go Up Entertainment.

A investigação apura suspeitas de fraude em licitação de R$ 108 milhões relacionada ao programa de internet gratuita WiFi Livre SP.

O senador Flávio Bolsonaro já havia se manifestado sobre o caso, afirmando que a operação não tem relação com o filme “Dark Horse”.

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