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Produção de 'Dark horse' esperava bilheteria recorde de US$ 100 milhões no Brasil

Documento encontrado pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro previa três cenários de arrecadação para “Dark Horse”, que tem Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro

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  • Plano de negócios do ex-banqueiro Daniel Vorcaro previa receita de até US$ 100 milhões para filme sobre Bolsonaro.
  • Relatório da PF revela projeções de US$ 45 milhões, US$ 70 milhões e US$ 100 milhões para o longa "Dark Horse".
  • Senador Flávio Bolsonaro confirmou solicitação de recursos para produção, mas nega uso de dinheiro público.
  • Estreia do filme está prevista para 11 de setembro de 2026, com retrato de atentado contra Bolsonaro.
  • Elenco internacional inclui Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro, e diretor Cyrus Nowrasteh.
Ator norte-americano Jim Caviezel interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme 'Dark Horse' | Foto: Reprodução
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Um plano de negócios encontrado pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, projetava que o filme “Dark Horse”, cinebiografia ficcional de Jair Bolsonaro, poderia arrecadar até US$ 100 milhões nas bilheterias. O documento estabelecia três cenários para o desempenho comercial do longa: US$ 45 milhões no cenário considerado pessimista, US$ 70 milhões no intermediário e US$ 100 milhões no otimista.

As projeções constam em um relatório da Polícia Federal que se tornou público na sexta-feira (11), após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de documentos relacionados às investigações sobre o colapso do Banco Master.

Segundo a PF, o material, identificado como “Plano de Negócio Capitão do Povo V5”, foi enviado a Vorcaro pelo empresário Thiago Miranda. Ele é apontado pelos investigadores como intermediário entre o ex-banqueiro e a família Bolsonaro nas tratativas relacionadas à produção do filme.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, já confirmou que solicitou recursos a Vorcaro para a produção do longa. O parlamentar afirma, porém, que não houve utilização de dinheiro público no financiamento do filme.

Projeções superavam recordes do cinema brasileiro

Considerando a cotação do dólar em 11 de setembro de 2026, os três cenários apresentados no plano de negócios equivalem a aproximadamente R$ 230 milhões, R$ 356 milhões e R$ 509 milhões, respectivamente.

Os valores chamam atenção quando comparados aos principais resultados do mercado cinematográfico brasileiro. Dados do Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro 2025, da Agência Nacional do Cinema (Ancine), apontam “Nada a Perder”, de 2018, como o filme brasileiro de maior bilheteria da história. Dirigido por Alexandre Avancini e estrelado pelo bispo Edir Macedo, o longa arrecadou R$ 120 milhões e levou 12.184.373 pessoas aos cinemas.

Assim, até mesmo a projeção considerada pessimista para “Dark Horse” superaria a arrecadação registrada pelo filme nacional. No cenário otimista, a estimativa de R$ 509 milhões também ultrapassaria a bilheteria de “Divertida Mente 2”, que soma R$ 442,1 milhões e aparece como o maior resultado da história do cinema no Brasil, considerando produções nacionais e estrangeiras.

Quantos ingressos seriam necessários?

O cenário mais baixo apresentado no documento também exigiria um público expressivo. Segundo o Informe Anual Cinematográfico 2025 da Ancine, o preço médio do ingresso de cinema no Brasil foi de R$ 20,40.

Com esse valor, uma arrecadação de R$ 230 milhões corresponderia a aproximadamente 11,2 milhões de ingressos vendidos, caso toda a receita viesse das bilheterias brasileiras e fosse considerada apenas essa média de preço.

O número é próximo da população da cidade de São Paulo. De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a capital paulista tinha 11.451.245 habitantes.

Jim Caviezel interpreta Bolsonaro

Entre as estratégias previstas para a produção estava a formação de um elenco internacional. O filme escalou o ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em “A Paixão de Cristo”, para viver Jair Bolsonaro.

O diretor Cyrus Nowrasteh também foi contratado para comandar a produção. Os dois aparecem nominalmente em conversas de Flávio Bolsonaro analisadas pela Polícia Federal.

A escolha de Caviezel também está relacionada a controvérsias envolvendo sua participação em “Sound of Freedom” (“Som da Liberdade”), de 2023. O filme foi alvo de críticas por suposta aproximação com teorias conspiratórias associadas ao movimento QAnon. Caviezel participou de eventos nos Estados Unidos nos quais falou sobre o tema, mas nega que o longa tenha relação com a teoria.

Filme retrata atentado contra Bolsonaro

“Dark Horse” é uma cinebiografia ficcional de Jair Bolsonaro e tem estreia mundial prevista para 11 de setembro de 2026. O trailer divulgado em maio pelo senador Flávio Bolsonaro apresenta o ex-presidente como um “vencedor improvável” que sobrevive a uma tentativa de assassinato.

A trama tem como ponto central o atentado a faca sofrido por Bolsonaro durante um comício em Juiz de Fora (MG), em setembro de 2018, durante a campanha presidencial.

Na versão apresentada pelo roteiro, o ataque é retratado como parte de uma conspiração envolvendo adversários políticos e o crime organizado. A história também utiliza flashbacks para mostrar Bolsonaro ainda jovem, durante o período em que era militar do Exército nos anos 1980, em situações relacionadas ao combate ao tráfico de drogas.

A narrativa ficcional, no entanto, difere da conclusão da investigação real conduzida pela Polícia Federal sobre o atentado. Na época, a corporação concluiu que Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada, agiu sozinho.

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