Um integrante da Procuradoria Municipal de São Luís (MA) entrou no radar de uma disputa judicial envolvendo o Banco de Brasília após recorrer a um financiamento de alto valor para adquirir papéis da instituição financeira. O advogado Daniel de Faria Jerônimo Leite obteve R$ 93,7 milhões junto a uma empresa de crédito ligada ao grupo Reag com esse objetivo.
INVESTIGAÇÃO
Levantamento conduzido pela Kroll, contratado pelo próprio banco, sustenta que Leite teria atuado como intermediário (“laranja”) em uma operação articulada por Daniel Vorcaro, Maurício Quadrado e João Carlos Mansur. O procurador, por sua vez, nega qualquer irregularidade.
DISPUTA JUDICIAL
As conclusões fazem parte de documentos anexados a uma ação movida pelo Banco de Brasília contra Vorcaro, Leite, o banco Master e um conjunto de empresas, fundos e pessoas físicas. Segundo a instituição, os envolvidos teriam agido de forma coordenada para assumir, de maneira indireta e pulverizada, o controle acionário.
De acordo com a acusação, a estratégia permitiria viabilizar e manter a negociação de carteiras de crédito consideradas problemáticas ou até inexistentes.
MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS
Os aportes privados na instituição — identificados como ACP 1 e ACP 2 — foram realizados entre 2024 e 2025. Na etapa inicial, empresários que já eram acionistas ampliaram suas participações e, posteriormente, transferiram as cotas para fundos de investimento.
Entre os destinos das ações estavam o fundo Verbier, ligado a Maurício Quadrado, e o fundo Borneo, associado aos filhos de João Carlos Mansur, executivo da Reag.
DEFESA
Citado nas investigações, Daniel Leite contesta as acusações e afirma que sua atuação ocorreu dentro da legalidade, rebatendo a tese de que teria servido como instrumento para ocultar os verdadeiros controladores das operações.