Um dos alvos da 6ª fase da Operação Compliance Zero, que estava sem ser localizado desde quinta-feira (14), foi preso neste sábado (16) após ser deportado de Dubai. Segundo a Polícia Federal, o investigado desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, onde teve o mandado de prisão cumprido.
Victor Lima Sedlmaier é suspeito de integrar o grupo conhecido como “Os Meninos”. De acordo com as investigações, o núcleo seria especializado em:
- ataques cibernéticos;
- invasões telemáticas;
- derrubada de perfis;
- e monitoramento digital ilegal.
Segundo a PF, o grupo atuava em benefício do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao extinto Banco Master. A defesa de Victor Sedlmaier afirmou que ele não estava foragido. Os advogados sustentam que o investigado vinha colaborando com as autoridades e deverá esclarecer as suspeitas ao longo do processo.
Cooperação internacional levou à deportação
A prisão preventiva foi decretada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, houve cooperação internacional via Interpol com autoridades de Dubai. Em nota, a PF informou que, após a identificação do mandado expedido pelo STF, Victor Sedlmaier não foi admitido no país árabe e acabou deportado imediatamente para o Brasil.
PF aponta ligação com núcleo hacker
As investigações indicam que Sedlmaier atuava no grupo liderado por David Henrique Alves, que segue foragido. Em depoimento anterior à operação, Victor afirmou que trabalhava para David Alves desde julho de 2024 realizando atividades como:
- conserto de computadores;
- deslocamento de veículos;
- colocação de créditos em celular;
- e desenvolvimento de softwares de inteligência artificial.
Investigação cita possível destruição de provas
Segundo a PF, Sedlmaier também teria participado da “limpeza” do apartamento de David Alves em 5 de março, um dia após a terceira fase da operação. Na ocasião, Daniel Vorcaro chegou a ser preso. Na decisão que autorizou a prisão preventiva, André Mendonça afirmou que a ação poderia indicar retirada de materiais relevantes e possível supressão de provas.
Outra suspeita envolve o uso de documento com informações falsas. Segundo a investigação, em 4 de março, agentes da Polícia Rodoviária Federal abordaram um carro ligado a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário de Vorcaro”.
O veículo era conduzido por David Alves. Durante a abordagem, os policiais encontraram um documento em nome de “Marcelo Souza Gonçalves”, mas com fotografia atribuída a Victor Sedlmaier. Para a PF, o episódio reforça suspeitas de ocultação de identidade e suporte às atividades investigadas.
O que diz a defesa
Em nota, a defesa de Sedlmaier disse que as suspeitas serão esclarecidas durante o processo. Veja o posicionamento na íntegra:
A defesa de Victor Lima Sedlmaier esclarece que acompanha o caso desde março de 2026, ocasião em que o investigado teve aparelhos celulares, computadores e outros bens apreendidos pelas autoridades, além de já ter prestado depoimento à época dos fatos.
Desde então, a defesa vem diligenciando incessantemente, tanto em Belo Horizonte/MG quanto perante o Supremo Tribunal Federal, buscando acesso integral aos autos e às investigações, sem, contudo, obter respostas efetivas até o presente momento.
Ressalta-se que, até hoje, a defesa não teve acesso sequer ao depoimento prestado por Victor, tampouco aos números dos procedimentos investigatórios e aos elementos formais constantes dos autos, situação que inviabiliza o pleno exercício do direito constitucional de defesa e do contraditório, em evidente afronta às garantias fundamentais previstas na Constituição Federal.
A defesa também repudia a narrativa de que Victor Lima Sedlmaier seria "foragido". Tal afirmação não corresponde à realidade dos fatos.
Victor deixou o país utilizando passaporte regularmente emitido pela Polícia Federal, sem qualquer restrição judicial ativa ou mandado de prisão vigente à época da viagem. Inclusive, compareceu pessoalmente perante a Polícia Federal para retirada de seu passaporte, tendo o documento sido regularmente expedido e entregue pelas autoridades competentes, sem qualquer impedimento legal.
Ou seja, não houve fuga, ocultação ou evasão clandestina. A saída do país ocorreu de forma absolutamente regular, transparente e autorizada pelos órgãos oficiais brasileiros.
Importante destacar, ainda, que Victor já havia colaborado anteriormente com as autoridades, prestando depoimento e submetendo-se às medidas investigativas determinadas, incluindo apreensão de bens e dispositivos eletrônicos.
As informações divulgadas acerca de suposto envolvimento na prática de crimes serão oportunamente esclarecidas no curso do devido processo legal, ressaltando-se que não há, até o momento, acesso integral da defesa aos elementos investigativos que permitam análise aprofundada das imputações ventiladas publicamente.
A defesa seguirá adotando todas as medidas judiciais cabíveis para garantir o pleno exercício do direito de defesa, o acesso aos autos e a preservação das garantias constitucionais do investigado.