O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, destacou nesta quarta-feira (20), os “desafios amazônicos” que deverão ser enfrentados nas eleições de 2026, especialmente em relação ao uso da inteligência artificial. Durante seu primeiro evento público à frente da Corte eleitoral, o magistrado afirmou que a principal ameaça ao processo eleitoral é a “mentira tecnicamente otimizada” produzida com auxílio da IA.
Debate discutiu impacto da IA no processo eleitoral
Ao abrir um debate sobre inteligência artificial nas eleições de 2026, Kassio afirmou que a Justiça Eleitoral atuará com “serenidade, firmeza e responsabilidade” no combate à desinformação.
— A democracia exige confiança e, diante dos desafios da inteligência artificial, cabe a todos nós assegurarmos que a tecnologia seja instrumento de cidadania e não de manipulação — declarou o ministro.
O evento contou também com a presença do vice-presidente do TSE, André Mendonça.
Ministro cita preocupação com deepfakes e manipulação
Segundo Kassio Nunes Marques, a inteligência artificial já influencia diretamente a circulação de informações e a construção de narrativas políticas. O ministro alertou que uma deepfake divulgada às vésperas do segundo turno pode alcançar milhões de pessoas antes mesmo de qualquer decisão judicial.
— O eleitor deixa de ser alcançado apenas como cidadão e passa a ser interpretado como um conjunto de dados, preferências presumidas e vulnerabilidades emocionais — afirmou.
TSE promete atuação firme, mas sem autoritarismo
Durante o discurso, Kassio afirmou que a Justiça Eleitoral será vigilante, mas sem ultrapassar limites democráticos.
— Será vigilante sem ser autoritária. Firme sem perder proporcionalidade. E comprometida, acima de tudo, com a liberdade de escolha do povo — disse.
O presidente do TSE também destacou que o tribunal já aprovou resoluções específicas para combater o uso de inteligência artificial em campanhas de desinformação.
Cooperação entre instituições será fundamental
Kassio defendeu ainda que o enfrentamento da desinformação não pode ficar restrito à remoção de conteúdos nas plataformas digitais. Segundo ele, será necessário criar um ecossistema de prevenção envolvendo:
- instituições públicas;
- plataformas digitais;
- universidades;
- especialistas;
- partidos políticos;
- candidatos;
- imprensa;
- sociedade civil.
— Nenhum ator isoladamente será capaz de enfrentar os riscos produzidos por tecnologias que operam em escala global, em tempo real e com alto grau de sofisticação — ressaltou.
Ministro diz que problema não é a IA, mas o uso dela
O presidente do TSE afirmou que a inteligência artificial também pode auxiliar a Justiça Eleitoral, mas alertou que o desafio é impedir seu uso para manipular a vontade popular. Segundo Kassio, a ameaça atual não é apenas uma mentira isolada, mas conteúdos falsos produzidos estrategicamente para atingir públicos específicos com aparência de autenticidade.