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Prefeitos do PL, de Bolsonaro, tiram fotos com Lula: Costa Neto “vai bater neles”

A imagem de gestores do PL ao lado de Lula expôs um contraste com o discurso adotado pelo senador Flávio Bolsonaro, um dos principais nomes da oposição.

Lula com Marcelo Oliveira (PT); Gilvan Junior (PSDB); Marcelo Lima (Podemos); Tite Campanella (PL); Taka Yamauchi (MDB); Akira Auriani (PSB); e Guto Volpi (PL). | Foto: Ricardo Stuckert/PR
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Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fazia críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista concedida na França — após cumprir agenda internacional em Israel, Bahrein e Emirados Árabes Unidos —, prefeitos do PL participaram de um ato oficial ao lado de Lula nesta segunda-feira (9), em Mauá, na região do Grande ABC paulista.

CONTRASTE POLÍTICO

O encontro ocorreu durante evento do Novo PAC Saúde, quando o presidente anunciou R$ 37,4 milhões em recursos do SUS destinados ao município. A imagem de gestores do PL ao lado de Lula expôs um contraste com o discurso adotado pelo senador, um dos principais nomes da oposição.

PREFEITOS PRESENTES

Além do prefeito anfitrião Marcelo Oliveira (PT–Mauá), estiveram no evento Tite Campanella (PL–São Caetano do Sul) e Guto Volpi (PL–Ribeirão Pires). Também posaram para a foto oficial Gilvan Junior (PSDB–Santo André), Marcelo Lima (Podemos–São Bernardo do Campo), Taka Yamauchi (MDB–Diadema) e Akira Auriani (PSB–Rio Grande da Serra).

Durante o discurso, Lula ironizou a presença dos prefeitos do PL.

“O presidente do partido deles [Valdemar Costa Neto] vai bater neles, porque eles estão em uma foto comigo”, brincou Lula.

Na sequência, o presidente destacou que a liberação de recursos federais não segue critérios partidários.

“Só para vocês terem ideia, aqui tem dois prefeitos que são do PL. O PL é o partido do [Jair] Bolsonaro, o PL é o maior inimigo nosso na Câmara, mesmo assim vocês estão recebendo ambulância, porque vocês foram eleitos pelo voto e eu respeito o voto da cidade de vocês”, emendou o presidente.

AUSÊNCIA DE TARCÍSIO

O ato em Mauá ocorreu após o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) não comparecer a uma agenda com Lula no Instituto Butantan, na capital paulista, realizada mais cedo. Mesmo com a agenda reduzida, o governador optou por não participar do evento no ABC.

Ainda assim, Lula esteve acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Márcio França (Empreendedorismo) e Alexandre Padilha (Saúde), que discursou no evento.

Na agenda oficial de Tarcísio constava apenas uma reunião com o deputado federal e presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, no início da noite. O governador foi representado pelo secretário estadual de Saúde, Eleuses Vieira de Paiva.

ALFINETADA NO GOVERNADOR

Ao final da cerimônia, Lula fez críticas indiretas a Tarcísio, sugerindo que o governador deve disputar a reeleição em São Paulo, e não a Presidência, por influência do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao comentar os investimentos no Butantan, o presidente reforçou que sua atuação não distingue partidos ou alianças políticas.

“Eu sei o lugar que eu vou. Eu sei os parceiros que eu construo e eu sei com quem eu tiro fotografia. Por isso, fortaleceu o Butantã. Não é uma decisão econômica para ajudar esse ou aquele estado. Ajudar o Butantã é ter apenas a primazia de dizer que a gente está ajudando 215 milhões de almas que vivem nesse país e que precisam que o Estado brasileiro invista. Não importa quem seja o governador, o prefeito, isso para mim é o que menos importa. Eu nunca fiz política perguntando que time que a pessoa torce, que religião que ele professa”, afirmou.

FAKE NEWS E “GUERRA DE NARRATIVAS”

Lula também voltou a criticar a disseminação de desinformação nas redes sociais, afirmando que é necessário enfrentar a chamada “ignorância” propagada por setores da ultradireita.

“Esses dias eu estava dizendo para o Haddad, eu vi um cidadão na televisão dizer o seguinte: ‘é, o Lula fica dizendo que o governo dele acabou com a fome, acabou nada. Eu tenho fome de manhã, eu tenho fome no almoço’. Ou seja, é essa ignorância que nós temos que vencer daqui para frente. Porque as barbaridades que nós achamos que são barbaridades, muitas vezes as pessoas acreditam. Se vocês saem na rua e vai na praça da Sé gritar até o elefante voando, um monte de gente leva do pescoço. Fake News é isso. Fake News é isso”, emendou.

NOVO PAC SAÚDE

Antes do ato em Mauá, Lula anunciou R$ 1,4 bilhão para ampliar a infraestrutura e a capacidade produtiva de vacinas e insumos biológicos do Instituto Butantan. Em seguida, participou da cerimônia no ABC, região considerada estratégica por concentrar um dos maiores colégios eleitorais do país.

Durante o evento, Lula e o ministro Alexandre Padilha assinaram a ordem de serviço para a construção de uma nova policlínica e de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em Mauá. Também foram entregues 10 conjuntos de equipamentos para a Atenção Primária e quatro ambulâncias do SAMU 192 ao município.

AGORA TEM ESPECIALISTAS

Mauá integra o grupo de mais de 100 regiões de saúde que recebem as carretas do programa Agora Tem Especialistas, lançado nesta segunda-feira. A estrutura móvel, em funcionamento desde 30 de janeiro, tem capacidade para atender até 65 pacientes por dia, oferecendo exames como tomografia e ultrassonografia para reduzir filas do SUS.

“Criamos o Agora Tem Especialistas, porque nós queremos, com 150 carretas, rodar todo o país oferecendo todo o tipo de exames para as pessoas. Além disso, vamos ter espalhadas 800 vans odontológicas indo nas comunidades mais pobres. Nós é que vamos até eles fazer exames. Se tiver que fazer prótese, agora vamos escanear a boca e a pessoa vai receber uma prótese perfeita para que possa voltar a sorrir”, destacou o presidente Lula.

Atualmente, 47 carretas estão em operação no país, com previsão de chegar a 150 unidades ainda neste ano. Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa já contribuiu para zerar filas de exames e cirurgias em 15 regiões de saúde.

Padilha lembrou que o programa começou priorizando a saúde da mulher.

“As mulheres são a maioria da nossa população e a maioria das usuárias do SUS. Não tem como o SUS não ter a saúde da mulher como prioridade absoluta”, reforçou.

AMBULÂNCIAS PARA O ABC

A região do Grande ABC receberá 34 novas ambulâncias do SAMU 192, sendo quatro destinadas a Mauá e outras 30 distribuídas entre Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema. O investimento federal totaliza R$ 10 milhões.

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