- O procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou a edição de uma portaria para restringir o uso da "Rede Membros" do MPF.
- A medida visa disciplinar o envio de mensagens entre membros do MPF e evitar críticas à cúpula do órgão.
- A nova rede, chamada "Rede Institucional", passa a ter participação obrigatória e estabelece limites claros sobre o conteúdo das comunicações.
- A portaria prevê acompanhamento da Corregedoria do MPF e possibilidade de responsabilização em caso de descumprimento das regras.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou a edição de uma portaria que restringe o uso de uma rede interna de comunicação do Ministério Público Federal (MPF), conhecida como “Rede Membros”, em meio ao aumento de críticas à cúpula do órgão. A medida ocorre às vésperas da possível entrega de uma delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, que ampliou tensões internas.
Mudança na comunicação interna
A portaria, assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Pereira Diniz Filho, institui a chamada “Rede Institucional”, que passa a disciplinar o envio de mensagens entre membros do MPF. O documento estabelece limites claros sobre o conteúdo das comunicações.
“As postagens do membro devem se limitar ao esclarecimento de dúvidas quanto à aplicação de normas ou atos institucionais, não se prestando ao envio de análises críticas ou de propostas alternativas acerca dos atos editados”, diz a portaria.
Restrições e possível punição
O texto também prevê acompanhamento por parte da Corregedoria do MPF, indicando possibilidade de responsabilização em caso de descumprimento das regras.
“A Corregedoria do MPF acompanhará o eventual descumprimento das regras de uso”, estabelece o documento.
Além disso, a nova rede passa a ter participação obrigatória, diferentemente da anterior, que era facultativa.
Queda na participação
Após a publicação da medida, houve uma redução significativa no número de participantes da rede original. Segundo integrantes do órgão, o grupo que contava com mais de 1.000 membros passou a ter menos de 300 participantes. A rede vinha sendo utilizada há anos para troca de informações e debates internos sobre temas da carreira.
Nas últimas semanas, a Rede Membros registrava aumento de manifestações críticas à atuação da cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR), especialmente diante de sinais relacionados à condução de investigações e decisões administrativas.
Pelo menos quatro procuradores foram encaminhados à Corregedoria após manifestações feitas no grupo, segundo relatos. Entre os temas citados nas discussões, estavam posicionamentos da gestão e episódios envolvendo autoridades.
Posicionamento da PGR
Em resposta, Paulo Gonet e Hindemburgo Diniz Filho informaram, por meio da assessoria, que a criação da nova lista tem como objetivo organizar a comunicação interna e garantir que mensagens administrativas sejam efetivamente recebidas.
Segundo a justificativa, o alto volume de e-mails na rede anterior fazia com que servidores bloqueassem mensagens, comprometendo o fluxo de informações relevantes dentro do órgão.