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Piauí registra 648 notificações de intoxicação por produtos cáusticos em crianças

Piauí registra 648 notificações de intoxicação por produtos cáusticos em crianças.

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  • Estado do Piauí registra 648 casos de intoxicação por produtos cáusticos em crianças de 0 a 11 anos entre 2007 e 2026.
  • Audiência pública discutiu políticas públicas e campanha educativa para prevenir acidentes com substâncias corrosivas.
  • Limma propõe campanha educativa e Dia D de conscientização para reduzir riscos e proteger crianças.
  • Produtos cáusticos são comuns em casa, mas acidentes com crianças ocorrem principalmente em domicílio e podem causar graves consequências.
  • Representantes alertam sobre venda fracionada de substâncias corrosivas e a necessidade de medidas de prevenção e fiscalização.
Deputado Francisco Limma | Foto: Divulgação/Ascom
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O Piauí registrou 648 notificações de intoxicação por produtos cáusticos em crianças de zero a 11 anos entre 2007 e 2026. Os dados são do Ministério da Saúde, com atualização até junho deste ano, e foram apresentados durante audiência pública realizada nesta segunda-feira (14), na Assembleia Legislativa do Piauí, proposta pelo deputado Francisco Limma.

A audiência discutiu políticas públicas de prevenção e o fortalecimento da campanha Fora Cáusticos no Piauí. Produtos cáusticos são substâncias corrosivas presentes em itens relativamente comuns no cotidiano, como soda cáustica, água sanitária e amoníaco. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, cerca de 37 crianças sofrem diariamente no país acidentes envolvendo produtos cáusticos ou pilhas e baterias.

Diante dos números, Limma informou que vai analisar as medidas que podem ser adotadas para reduzir os acidentes e proteger as crianças. Ele disse que, de imediato, vai sugerir à TV Assembleia e à Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) a realização de uma campanha educativa. Também serão analisadas outras propostas apresentadas durante a audiência, entre elas a realização de um Dia D de conscientização para ampliar as informações que chegam às famílias.

Sessão discutiu  campanha educativa e avalia Dia D de conscientização sobre os riscos dessas substâncias - Foto: Divulgação

“São acidentes que podem causar a morte ou deixar consequências para a vida inteira. Em muitos casos, podem ser evitados com informação e medidas de proteção. A audiência reuniu diferentes instituições justamente para construirmos respostas conjuntas. O mais importante é que essa causa não fique restrita a uma audiência. Precisamos transformar o debate em ações concretas de prevenção e proteção às nossas crianças”, afirmou Limma.

Risco dentro de casa

A médica Joceli Oliveira dos Santos, presidente da Sociedade de Gastroenterologia do Piauí, explicou que produtos corrosivos fazem parte do cotidiano das famílias e que os acidentes atingem principalmente crianças pequenas. “Quem não tem em casa uma soda cáustica, uma água sanitária ou um amoníaco? O grande problema é que os acidentes por ingestão desses produtos ocorrem sobretudo com crianças de zero a cinco anos. E 88% desses acidentes acontecem dentro do próprio domicílio da criança”, alertou.

Segundo Joceli, as consequências podem acompanhar a vítima por muitos anos e que o esôfago é um dos órgãos mais atingidos pela ingestão dessas substâncias. “Muitas vezes, a criança vai precisar de dilatações por muito tempo e, nos casos mais graves, pode precisar de uma grande cirurgia”, explicou.

Para Joceli, a prevenção começa dentro de casa, com produtos mantidos longe do alcance das crianças, preferencialmente em locais fechados. Mas ela ressaltou que a responsabilidade não deve recair apenas sobre pais e cuidadores.

“Não é só a família que precisa ser responsabilizada. Precisamos discutir também a atuação do Estado. É necessário avançar na prevenção, nas embalagens, nos lacres, na comercialização e também criar um protocolo e um fluxo de atendimento para essas crianças”, defendeu.

Venda fracionada preocupa

A coordenadora do Centro de Apoio e Defesa da Saúde do Ministério Público, Carla Daniela, apontou duas frentes que podem contribuir para a prevenção: a atuação da rede pública de saúde na orientação das famílias e o controle da comercialização desses produtos. “É extremamente importante sensibilizar os profissionais da atenção primária, porque eles estão próximos das famílias. Os agentes comunitários de saúde, a Estratégia Saúde da Família e o Programa Saúde na Escola podem fazer esse trabalho educativo e manter esse alerta de forma permanente”, afirmou.

Carla Daniela e Limma - Foto: Divulgação/Ascom

Carla Daniela também chamou atenção para a venda fracionada de substâncias corrosivas, especialmente quando são retiradas das embalagens originais e colocadas em outros recipientes.

“Muitas vezes, o produto é vendido de forma fracionada e vai sem o modo de usar e sem a identificação do que existe dentro daquela embalagem. Quando está na embalagem original, existem os alertas e os símbolos de segurança. Com o fracionamento e a colocação em outro vasilhame, esses alertas se perdem”, explicou.

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