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PF identifica R$ 1,4 mi de Frias e empresa investigada para produtora de filme

PF investiga transferências de R$ 1,4 milhão feitas por Mário Frias e NTT Brasil para produtora de filme sobre Bolsonaro.

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  • PF identificou transferências de R$ 1,4 milhão de Mário Frias e NTT Brasil para Go Up Entertainment, produtora de "Dark Horse".
  • Deputado transferiu R$ 645,4 mil em menos de dois meses, levantando dúvidas sobre seu lastro financeiro.
  • Gravações de "Dark Horse" ocorreram em São Paulo entre outubro e dezembro de 2025, período das movimentações.
  • Go Up movimentou R$ 19 milhões em 2025, com despesas em hotéis, alimentação e produtoras.
  • PF aponta conexão indireta entre ICB, NTT Brasil, Go Up e empresas ligadas a Heric Dias e Mário Frias.
PF identifica R$ 1,4 milhão de Frias e empresa investigada para produtora de filme sobre Bolsonaro | Foto: Reprodução
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A Polícia Federal identificou transferências de cerca de R$ 1,4 milhão feitas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) e pela NTT Brasil à Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação consta de relatório encaminhado nesta quarta-feira (10) ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Do total, R$ 645,4 mil foram enviados pelo próprio parlamentar em menos de dois meses no fim de 2025, valor que levou a PF a questionar seu “lastro financeiro”. Outros R$ 750 mil partiram da NTT Brasil, empresa ligada, segundo a investigação, a um dos empresários investigados.

A PF chamou atenção para o volume dos repasses feitos por Frias e afirmou que seus rendimentos mensais, de R$ 44.008,52, colocam “em questão o lastro financeiro” para transferências de R$ 645,4 mil em um intervalo inferior a 60 dias.

As movimentações ocorreram no período em que “Dark Horse” era filmado em São Paulo: as gravações foram realizadas entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.

A NTT Brasil é administrada pelo empresário Heric Dias e, de acordo com a investigação, está ligada a um grupo empresarial que inclui fornecedores contratados pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB). O instituto é presidido por Karina Gama, que também é dona da Go Up.

“Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mário Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias”, afirmou a PF no relatório.

No período analisado, entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a Go Up movimentou cerca de R$ 19 milhões: foram R$ 8,9 milhões em créditos e R$ 10 milhões em débitos. As operações constam de comunicação financeira analisada pela PF e foram classificadas como atípicas.

Entre os principais destinatários dos recursos movimentados pela produtora aparecem o Hotel Unique, que recebeu R$ 906,7 mil, e a Foodflix Alimentação, com R$ 653,1 mil. A PF também identificou pagamentos a empresas que atuam na área de produção.

Os investigadores destacaram a natureza dessas despesas — que incluíam hospedagem em hotel de alto padrão, alimentação e serviços de produtoras — e a coincidência temporal entre parte das movimentações financeiras e as gravações de “Dark Horse”. A PF aponta uma possível conexão indireta entre recursos relacionados ao ICB, empresas vinculadas ao grupo empresarial de Heric Dias, a NTT Brasil e a Go Up Entertainment.

Segundo os investigadores, a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, apontados como integrantes do mesmo grupo empresarial, receberam juntos cerca de R$ 700 mil do ICB no âmbito do Termo de Fomento nº 971232. Posteriormente, a NTT Brasil, administrada por Heric Dias, transferiu R$ 750 mil à Go Up.

A investigação também identificou vínculos anteriores entre pessoas ligadas ao grupo de Heric e Mário Frias. Luiza Tessari Dias, mulher do empresário, doou R$ 70 mil à campanha do deputado em 2022, segundo dados do TSE citados pela PF.

A própria PF ressalva, porém, que os elementos disponíveis não permitem afirmar que os R$ 750 mil transferidos pela NTT tenham origem direta nos recursos recebidos do ICB. Para os investigadores, a coincidência entre os valores e a proximidade temporal das operações são circunstâncias relevantes para a análise financeira.

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