- PF apreendeu bens de luxo e documentos de Felipe Cançado Vorcaro em Nova Lima (MG) durante Operação Compliance Zero.
- Empresário foi preso temporariamente e investigado por suposta ligação com núcleo financeiro do grupo do caso Master.
- Itens apreendidos incluem carros de luxo, relógios e contratos relacionados a investimentos e empresas ligadas ao setor de energia.
- PF investiga negócios envolvendo Green Investimentos e movimentações financeiras com empresa administrada pelo irmão de Ciro Nogueira.
- Felipe deixou a presidência da Green Investimentos após primeira fase da operação, possivelmente para se afastar da estrutura empresarial investigada.
A Polícia Federal (PF) apontou indícios de riqueza aparentemente incompatível com a atividade lícita de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, após apreender uma Lamborghini Urus, um Land Rover blindado, uma Toyota Hilux SW4, relógios e documentos ligados a investimentos no apartamento do empresário, em Nova Lima (MG). As apreensões ocorreram em 7 de maio, durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, quando Felipe também foi preso temporariamente. Segundo a investigação, ele faria parte do núcleo financeiro-operacional do grupo investigado no caso Master.
Bens de luxo foram apreendidos
De acordo com a PF, os itens encontrados apresentariam “sinais de riqueza aparente” que, em princípio, não seriam compatíveis com a ocupação lícita do empresário. Os investigadores ressaltaram, porém, que os valores dos bens ainda dependem de avaliação e perícia.
Na garagem do imóvel, foram apreendidos uma Lamborghini Urus preta, modelo 2019, uma Toyota Hilux SW4 preta, de 2018, e um Land Rover preto, de 2020, com blindagem.
Também foram recolhidos relógios e documentos relacionados a investimentos, além de materiais empresariais encontrados no escritório do apartamento.
Atuação no caso Master
A investigação da PF aponta que Felipe Cançado Vorcaro integraria o chamado núcleo financeiro-operacional do grupo investigado no caso Master. Segundo os investigadores, sua atuação estaria relacionada à execução de movimentações financeiras e societárias.
Durante a busca, os policiais encontraram dois acordos de investimento e um contrato de prestação de serviços relacionados a Felipe, à Green Investimentos e à Green Participações.
A investigação também analisa uma estrutura empresarial formada por companhias ligadas principalmente ao setor de energia, incluindo Green Investimentos, Green Stone Participações, B4 Participações, Pro Energy e UFV João Pinheiro.
Operação investigou negócios e movimentações
Entre as operações analisadas pela PF está a negociação de uma participação de 30% na Green Investimentos, avaliada pelos investigadores em aproximadamente R$ 13 milhões, mas negociada por R$ 1 milhão com uma empresa administrada pelo irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A defesa do parlamentar negou irregularidades.
A PF também investiga movimentações relacionadas à chamada “parceria BRGD/CNLF”. A operação societária e os fluxos financeiros envolvendo empresas ligadas ao grupo estão entre os elementos analisados pelos investigadores.
Prisão ocorreu em maio
Felipe foi preso temporariamente durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, realizada em 7 de maio. Conforme registrado na investigação, ele teria tentado deixar o local utilizando um carrinho de golfe.
Na decisão que autorizou as medidas, a investigação apontou Felipe como integrante do núcleo financeiro-operacional que seria responsável por movimentações relacionadas ao grupo.
Durante a busca, também foram apreendidos dois celulares, um MacBook Air, um iPad, três relógios, uma nota fiscal e informações relacionadas ao uso de uma antena Starlink.
Segundo o relatório da diligência, Felipe não forneceu as senhas dos celulares. Os aparelhos foram encaminhados para análise técnica da PF.
Saída de empresa
Felipe deixou a presidência da Green Investimentos um dia depois da primeira fase da Operação Compliance Zero. Para a investigação, a mudança poderia representar uma tentativa de afastamento formal de uma das estruturas empresariais analisadas no caso.
Após a operação de maio, o Grupo ForGreen declarou não ter envolvimento com os fatos investigados e informou a convocação de uma assembleia para discutir a destituição de Felipe da presidência do conselho de administração da Green Energy Investimentos e Participações.
As informações sobre a atuação de Felipe e as movimentações empresariais integram a linha de investigação da Polícia Federal e ainda são objeto de apuração.