- Motoristas e cobradores do transporte coletivo de Teresina decidiram flexibilizar parte das reivindicações salariais.
- A categoria avançou em um acordo que deve afastar a possibilidade de greve no sistema de transporte da capital.
- O principal ponto de divergência envolvia o reajuste salarial de 5,35% destinado a cobradores e fiscais.
- A categoria manteve a defesa da permanência dos profissionais no sistema e rejeitou proposta das empresas que previa a retirada gradual dos cobradores.
Motoristas e cobradores do transporte coletivo de Teresina decidiram flexibilizar parte das reivindicações salariais e avançaram em um acordo que deve afastar a possibilidade de greve no sistema de transporte da capital. A decisão foi tomada após nova assembleia realizada nesta segunda-feira (25).
A definição ocorreu após reunião entre a categoria e o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro). Segundo a entidade, a decisão levou em consideração o impacto que uma paralisação causaria à população, além das negociações mediadas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região (TRT-22).
O principal ponto de divergência nas negociações envolvia o reajuste salarial de 5,35% destinado a cobradores e fiscais. Os trabalhadores defendiam que o percentual fosse calculado sobre o salário atual da categoria, de R$ 1.621, enquanto o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) propunha utilizar como referência o valor da convenção anterior, fixado em R$ 1.601.
De acordo com o Sintetro, a diferença representaria perdas anuais para os trabalhadores, mas a categoria avaliou que uma judicialização do conflito poderia resultar em condições ainda menos favoráveis.
"Nessa primeira votação, a categoria sentiu o baque porque tinha uma proposta já aprovada que seria o reajuste em cima do salário mínimo, e se deparou com novo cenário. Mas gostaria de agradecer aos desembargadores que fizeram um ótimo trabalho na medicação desse conflito. O meu erro foi sair da mesa de negociação. Para finalizar, amanhã vamos fazer uma nova votação em assembleia e eu acredito que vai ser 100% de aprovação, pois isso demonstra união da categoria", informou o presidente Antônio Cardoso.
COBRADORES SERÃO MANTIDOS
Outro ponto decisivo para o entendimento foi a rejeição à proposta das empresas que previa a retirada gradual dos cobradores em caso de ampliação da frota de ônibus.
A proposta empresarial estabelecia que, a partir de 225 veículos em circulação, os novos ônibus passariam a operar sem cobradores, concentrando as funções nos motoristas. A categoria recusou a medida e manteve a defesa da permanência dos profissionais no sistema.
Mesmo com concessões feitas nas negociações, o sindicato considera que o acordo trouxe avanços para motoristas e cobradores, principalmente devido aos reajustes no ticket alimentação e no plano de saúde.