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Ministro Nunes Marques vota para reconhecer aposentadoria especial a vigilantes

Ministro ressaltou, porém, que a discussão é restrita à profissão do vigilante e não deve se estender automaticamente a outros trabalhadores expostos ao perigo

O ministro do STF Kassio Nunes Marques | Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
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O ministro Kássio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), votou nesta sexta-feira (6) para reconhecer o direito à aposentadoria especial para vigilantes que comprovem exposição a atividade nociva com risco à integridade física. Relator do caso, o ministro optou por não ampliar a discussão para outras categorias profissionais expostas à periculosidade.

Discussão restrita à atividade de vigilância

Segundo Nunes Marques, a análise deve se limitar exclusivamente à profissão de vigilante, sem gerar efeitos automáticos para outros trabalhadores que atuam em condições perigosas.

Por derradeiro, importa ressaltar que a controvérsia em análise se restringe à atividade de vigilância, não se estendendo, de forma automática, a outras situações, como a de trabalhadores expostos a substâncias inflamáveis ou a atividades especiais, como a relacionada à eletricidade, afirmou.

Na tese apresentada, o relator defende que mesmo vigilantes que não utilizam arma de fogo devem ter direito ao benefício, considerando os riscos inerentes à profissão e os potenciais prejuízos à saúde do trabalhador.

Impactos físicos e psicológicos da profissão

Para o ministro, a atividade de vigilância não envolve apenas ameaça à integridade física, mas também danos psicológicos permanentes, como ansiedade prolongada, medo constante e estresse elevado.

O exercício da atividade de vigilância, ao mesmo tempo em que faz periclitar a integridade física do trabalhador, coloca-o em permanente estado de alerta, gerando quadro de elevada tensão emocional, diz.

Julgamento em plenário virtual

A ação está sendo analisada no plenário virtual do STF, modelo em que os ministros têm um prazo para inserir seus votos no sistema eletrônico da Corte. Neste caso, o prazo final é a próxima sexta-feira (13). Até o momento, apenas Nunes Marques votou.

Recurso do INSS e impacto financeiro

A discussão chegou ao Supremo por meio de um recurso do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A autarquia sustenta que, após a Reforma da Previdência de 2019, a Constituição não permite mais aposentadoria especial baseada apenas na periculosidade, restringindo o benefício a trabalhadores expostos a agentes químicos, físicos ou biológicos nocivos à saúde.

Conforme o INSS, o reconhecimento do direito aos vigilantes pode gerar um impacto superior a R$ 154 bilhões. Caso o entendimento seja estendido a outras categorias que atuam sob risco, o impacto financeiro poderia ser ainda maior.

O que é a aposentadoria especial

A aposentadoria especial é um benefício previdenciário concedido a trabalhadores que atuam em condições que podem prejudicar a saúde a longo prazo. Nessas situações, o tempo mínimo de contribuição é reduzido, como forma de compensação pelos riscos da atividade.

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