- Ministro da Defesa reúne-se com subsecretário norte-americano para discutir cooperação contra narcotráfico.
- Encontro ocorre durante a CMDA no Peru, em meio à classificação dos PCC e CV como terroristas pelos EUA.
- Estados Unidos demonstram interesse em ampliar parceria com o Brasil no combate ao crime organizado.
- Ministro destaca que combate ao narcotráfico é responsabilidade do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
- Classificação das facções provocou tensão diplomática e alertas do Brasil sobre riscos de ações militares norte-americanas.
O ministro da Defesa (MD), José Múcio Monteiro, reuniu-se nesta quarta-feira (8) com o subsecretário de Defesa para Assuntos de Política dos Estados Unidos (EUA), Elbridge Colby, para discutir a cooperação entre os dois países no combate ao narcotráfico. O encontro ocorreu durante a XVII Conferência de Ministros de Defesa das Américas (CMDA), no Peru, em meio aos desdobramentos da decisão do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
EUA demonstram interesse em ampliar parceria
Segundo nota divulgada pelo Ministério da Defesa (MD), a reunião foi solicitada pelos Estados Unidos e transcorreu em clima de cordialidade. Durante a conversa, representantes do governo americano manifestaram interesse em ampliar a cooperação com o Brasil no enfrentamento ao narcotráfico.
De acordo com a pasta, os Estados Unidos afirmaram que buscam parceiros no continente para fortalecer o combate ao crime organizado e apontaram o Brasil como um potencial aliado. José Múcio demonstrou interesse na parceria, mas ressaltou que o combate ao narcotráfico é atribuição do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), destacando ainda as ações realizadas pelas Forças Armadas na fiscalização das fronteiras brasileiras.
Classificação de PCC e CV ampliou tensão diplomática
A reunião ocorre semanas após o Departamento de Estado dos EUA enquadrar o PCC e o CV como "Organizações Terroristas Estrangeiras" e "Terroristas Globais Especialmente Designados". A medida entrou em vigor em 5 de junho e foi justificada pelo governo norte-americano sob o argumento de que as facções atuam além das fronteiras brasileiras e representam ameaça à segurança dos Estados Unidos.
Na ocasião, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o governo de Donald Trump utilizaria todas as ferramentas disponíveis para combater organizações ligadas ao narcotráfico e interromper suas fontes de financiamento. Na semana passada, o governo americano também anunciou sanções contra brasileiros e empresas suspeitas de ligação com o PCC.
Caso repercute no Brasil
A classificação das facções também provocou repercussão no Brasil. Nesta semana, veio a público um documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira, no qual o Ministério das Relações Exteriores (MRE) alertou para possíveis implicações da decisão americana, incluindo o risco de interpretações que abrissem espaço para ações militares dos EUA em território brasileiro.
A manifestação levou a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados a aprovar a convocação do ministro para prestar esclarecimentos. Em resposta, o Departamento de Estado dos EUA classificou como "absurda" a interpretação apresentada pelo Itamaraty (MRE) e reiterou que as medidas adotadas pelos Estados Unidos têm como base sua própria legislação para combater organizações criminosas com atuação internacional.