- Estados Unidos classifica PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, gerando crise diplomática e política no Brasil.
- Ministro Mauro Vieira deve prestar depoimento no Senado e na Câmara sobre risco de ações militares americanas contra o Brasil.
- Comissão de Relações Exteriores da Câmara convocou Vieira, tornando sua presença no depoimento obrigatória.
- Oposição quer explicações sobre postura do governo brasileiro diante da classificação dos grupos como terroristas.
- Deputado Marcel Van Hattem criticou ofício do Itamaraty, chamando-o de incompatível com a função de um ministro.
A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas está no centro de uma nova crise diplomática e agora também política, dentro do Congresso Nacional. O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve prestar depoimento até a próxima semana no Senado e na Câmara sobre um documento enviado por ele que apontava o risco de ações militares americanas contra o Brasil.
O material foi enviado no contexto em que os Estados Unidos classificou o PCC e CV como organizações terroristas, o que gerou forte reação da oposição para que o ministro preste depoimento antes do recesso parlamentar.
Convite e convocação
Na terça-feira (8), o colegiado do Senado convidou Vieira a prestar esclarecimentos sobre o documento. Ele não é obrigado a comparecer. Já na quarta (9), a Comissão de Relações Exteriores da Câmara foi além e convocou o ministro, tornando sua presença obrigatória.
É previsto que o ministro preste depoimento até semana que vem, mas há a possibilidade de ocorrer apenas em agosto, período em que o Legislativo retoma as atividades.
Cabe aos presidentes das comissões marcar a data: no Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS); na Câmara, Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP).
O que a oposição quer saber
Os parlamentares de oposição pretendem cobrar do ministro uma explicação sobre a postura do governo brasileiro diante da decisão americana de tratar as facções como grupos terroristas.
O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), um dos que pediu a convocação na Câmara, classificou o teor do ofício do Itamaraty como incompatível com a função de um ministro, chegando a sugerir que o texto insinua que o governo teme uma invasão para não precisar resolver problemas internos que não consegue enfrentar sozinho.