- Presidente Lula rejeita classificação de facções brasileiras como terroristas durante ligação com Trump.
- Lula defende ações conjuntas com EUA contra crime organizado e reforça instrumentos nacionais.
- Brasil apresenta medidas para asfixiar financeiramente organizações criminosas e reformar presídios.
- Lula e Trump discutem cooperação em segurança e apoiam solução negociada para conflito Ucrânia-Rússia.
- Presidente brasileiro propõe reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU para discutir conflitos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rejeitou, durante conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e defendeu uma atuação conjunta entre os dois países no combate ao crime organizado. O tema foi tratado durante a ligação realizada nesta sexta-feira (21), que também abordou ações brasileiras de enfrentamento às organizações criminosas.
Facções
Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Lula afirmou que grupos criminosos atuam de forma violenta contra populações vulneráveis no Brasil, mas não devem ser confundidos com organizações terroristas.
A declaração ocorre após o governo dos Estados Unidos classificar, em maio deste ano, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Durante a conversa, Lula defendeu que o Brasil possui instrumentos próprios para combater as organizações criminosas sem a necessidade de uma classificação específica como terrorismo.
“Lula argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas.”
Cooperação
O presidente brasileiro também apresentou medidas adotadas pelo governo para asfixiar financeiramente as organizações criminosas e citou a intenção de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima.
Lula mencionou ainda a aprovação do projeto de lei Antifacção e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que ainda aguarda votação no Senado.
De acordo com a Secom, Trump se mostrou disposto a ampliar a cooperação entre os dois países na área de segurança pública e indicou que funcionários de alto escalão dos Estados Unidos deverão acompanhar as tratativas.
Além do Brasil
A conversa entre Lula e Trump também passou por conflitos internacionais, principalmente a guerra entre Rússia e Ucrânia e a situação no Oriente Médio.
Segundo a Secom, os dois presidentes defenderam a busca por uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia.
Lula também voltou a defender uma atuação diplomática do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente brasileiro propôs a realização de uma reunião extraordinária do órgão para discutir alternativas para os conflitos.
“Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”, afirmou Lula, segundo a nota divulgada pelo governo.