- Auxiliares de Lula defendem reação mais incisiva contra crise institucional e pressionam STF.
- Pesquisa mostra Flávio Bolsonaro à frente de Lula em simulação de segundo turno.
- Governo avalia abertura de investigações contra Moraes e afastamento de Mendonça.
- Propostas incluem mandatos para ministros do STF e convocação do Conselho da República.
- AGU planeja recurso contra afastamento de Andrei Rodrigues da PF.
Diante da escalada da crise institucional e dos resultados recentes de pesquisas de opinião, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a defender uma reação mais incisiva do governo. Entre as propostas estão a convocação do Conselho da República e a defesa de mandato para futuros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Interlocutores diretos de Lula na Esplanada dos Ministérios também consideram necessária uma nova reunião entre o presidente e o ministro Edson Fachin, presidente do STF, para discutir os próximos passos e buscar uma solução para a crise.
Investigações e relatorias
Segundo esses auxiliares, uma possível saída envolve a abertura de investigações contra o ministro Alexandre de Moraes, além do afastamento de André Mendonça das relatorias dos casos Master e INSS e do encerramento do inquérito das fake news.
No Palácio do Planalto, há preocupação com o desempenho de Lula nas pesquisas e com a disputa pela Presidência em 2026. Pesquisa Nexus divulgada nesta terça-feira (8) mostrou Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno.
Assessores do presidente avaliam que a crise envolvendo o STF deverá ter peso maior na reta final da campanha do que temas como economia, segurança pública e soberania nacional.
Parte dos interlocutores de Lula defende uma postura mais firme em relação à abertura de investigações contra Moraes. A avaliação é que essa posição poderia ser transmitida a Fachin, ainda que não necessariamente de forma pública, como parte da busca por uma solução para a crise.
O governo também considera inaceitável a permanência de Mendonça como relator dos casos Master e INSS. Segundo auxiliares, o ministro teria perdido a imparcialidade necessária para conduzir os processos.
Mandato para ministros do STF
A campanha de Flávio Bolsonaro tem explorado a possibilidade de Lula indicar mais quatro ministros do STF até 2030, caso seja reeleito em outubro. Como resposta, interlocutores do presidente defendem que Lula passe a apoiar uma mudança constitucional para estabelecer mandatos de dez ou 15 anos para futuros integrantes da Corte.
Outra proposta em discussão é a convocação do Conselho da República, órgão responsável por assessorar a Presidência em situações de crise. O colegiado é formado por representantes do Executivo, pelos presidentes do Senado e da Câmara, líderes da maioria e da minoria das duas Casas e representantes da sociedade civil.
Dentro do governo, porém, há divergências sobre a medida. Parte dos auxiliares avalia que uma convocação extraordinária poderia ampliar a exposição da crise e prejudicar a campanha de Lula à reeleição.
Recurso contra afastamento de Andrei
O comitê petista também defende que Lula reaja à decisão que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal.
A primeira medida será um recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) contra a decisão. O governo deverá alegar violação da competência privativa do presidente da República, sob o argumento de que cabe exclusivamente a Lula indicar o diretor-geral da PF.
Lula também deverá solicitar, com urgência, uma nova reunião com Edson Fachin para tratar do afastamento e da crise institucional.