- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará da Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França.
- Lula criticará medidas "unilaterais" e "protecionistas" no comércio internacional sem mencionar diretamente os EUA.
- A agenda bilateral entre Lula e Trump não está prevista, mas uma conversa informal é possível.
- O presidente embarca para a França no domingo (15) e participará de encontros bilaterais com líderes japonesa e francesa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve aproveitar a Cúpula do G7 para criticar medidas consideradas "unilaterais" e "protecionistas" no comércio internacional, segundo fontes do Palácio do Planalto. O encontro dos líderes ocorre nos dias 16 e 17 de junho, em Évian-les-Bains, na França.
Apesar da presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula não deverá fazer referências diretas ao tarifaço imposto pelo governo norte-americano. De acordo com diplomatas brasileiros, a estratégia é transmitir recados em defesa do multilateralismo sem transformar a cúpula em palco para críticas direcionadas.
Recados sem citar os Estados Unidos
A avaliação de integrantes do governo é que fóruns multilaterais exigem uma abordagem mais ampla e institucional. Por isso, Lula deve defender regras internacionais de comércio e criticar medidas protecionistas de forma genérica, sem mencionar diretamente os Estados Unidos.
O discurso seguirá uma linha semelhante à adotada pelo presidente em encontros recentes do G20 e dos Brics, com defesa de maior participação dos países emergentes nos principais espaços de decisão global.
Bilateral com Trump não está prevista
Até este sábado (13), não havia previsão de uma reunião bilateral entre Lula e Trump durante o evento.
O Planalto decidiu não solicitar um novo encontro formal entre os dois líderes, argumentando que não há necessidade imediata após a recente reunião realizada na Casa Branca.
Dessa forma, uma agenda bilateral estruturada, como a ocorrida na Malásia em outubro de 2025, está praticamente descartada. Ainda assim, uma conversa informal nos corredores do evento não está fora do radar da diplomacia brasileira.
Relação entre os governos teve novos atritos
Desde o encontro na Casa Branca, episódios recentes aumentaram o desgaste entre Brasília e Washington.
Entre eles estão a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e as ameaças de novas tarifas comerciais, incluindo uma taxação de 25% com base na chamada Seção 301 e outra de 12,5% relacionada a alegações sobre trabalho forçado.
Agenda de Lula na cúpula
Lula embarca para a França neste domingo (15). Como país convidado, o Brasil participará das sessões ampliadas do G7 ao lado de outras nações parceiras.
Na terça-feira (16), os debates serão voltados para parcerias internacionais. Já na quarta-feira (17), os líderes discutirão crescimento econômico equilibrado. Também está previsto um almoço dedicado ao debate sobre a atuação e a responsabilização das big techs.
Além da programação oficial, Lula tem encontros bilaterais confirmados com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com o presidente da França, Emmanuel Macron, anfitrião da cúpula.