No primeiro dia do ano legislativo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve assinar a proposta do acordo Mercosul–União Europeia para encaminhá-la ao Congresso Nacional logo no início das atividades parlamentares de 2026.
Após 26 anos de negociações, a intenção do governo é que o texto seja aprovado ainda no primeiro semestre, tanto para acelerar a tramitação quanto para pressionar o bloco europeu a ratificar o acordo.
CÂMARA QUER VOTAR TEXTO ANTES DO CARNAVAL
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou a líderes na quarta-feira (28) que pretende levar o acordo ao plenário até o Carnaval. No mesmo dia, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou que o governo planeja enviar o texto ainda na primeira semana de fevereiro. Segundo Motta, o acordo terá tramitação acelerada assim que chegar à Casa.
ACORDO GANHA IMPORTÂNCIA COM MUDANÇAS NO MERCADO CHINÊS
Enquanto a União Europeia discute salvaguardas comerciais, a China, principal destino da carne bovina brasileira, passou a adotar um sistema de cotas desde 1º de janeiro.
O modelo prevê:
Cota inicial de 1,106 milhão de toneladas
Tarifa de 12% dentro da cota
Sobretaxa de 55% fora da cota, totalizando 67% de imposto
Em 2025, a China importou cerca de 1,7 milhão de toneladas de carne bovina brasileira, o que representou 48,3% das exportações do setor. Com as novas restrições, o acordo com a União Europeia passa a ser visto como estratégia central de diversificação comercial.
EXPORTAÇÕES COM MAIOR VALOR AGREGADO
O tratado Mercosul–UE abre espaço para o Brasil ampliar exportações de produtos com maior valor agregado, direcionadas a um mercado sofisticado e com maior previsibilidade institucional. Para o governo e o setor produtivo, o acordo representa uma oportunidade de reduzir dependência de um único parceiro comercial e fortalecer a presença brasileira na Europa.