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Lula critica tarifas dos EUA e diz que há brasileiros tentando “trair o país” por interesses eleitorais

Presidente defende soberania brasileira e rebate taxas comerciais baseadas em dados que considera incorretos sobre o déficit bilateral

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  • O presidente Lula afirmou que o Brasil não pode aceitar o tratamento recebido dos EUA em referência às novas tarifas comerciais.
  • Lula acusou adversários políticos de atuarem contra os interesses do país e classificou como "traição" a busca por ganhos eleitorais com sanções ao Brasil.
  • O presidente defendeu a soberania nacional e afirmou que o Brasil buscará relações internacionais baseadas no respeito mútuo.
  • Lula criticou as justificativas apresentadas pelos EUA para as novas tarifas e destacou o reconhecimento da China ao status sanitário brasileiro de país livre de febre aftosa sem vacinação.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva | Foto: Reprodução/ Ricardo Stuckert/PR
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (3) que o Brasil não pode aceitar o tratamento recebido dos Estados Unidos nos últimos dias, em referência às novas tarifas comerciais propostas pelo governo norte-americano e a outras medidas anunciadas por Washington.

As declarações foram feitas durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, marcada por críticas às decisões dos EUA e por um discurso em defesa da soberania nacional.

Sem citar nomes, Lula também acusou adversários políticos de atuarem contra os interesses do país em meio ao embate diplomático e comercial.

"Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, interesses rasteiros, de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral, em qualquer país do mundo, que possa dar valor a alguém que trai a pátria", afirmou.

Críticas a adversários

Nos bastidores, integrantes do governo atribuem ao grupo político ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) parte das articulações que antecederam medidas recentes anunciadas pelos Estados Unidos, como a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião ministerial em junho de 2026 (Reprodução/ Canal Gov)

Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirma ter solicitado ao governo norte-americano que não adotasse medidas que prejudicassem empresas brasileiras. O senador também argumenta que as tensões comerciais são resultado do que classifica como postura hostil do governo Lula em relação aos Estados Unidos.

Sem mencionar diretamente o parlamentar, Lula afirmou que há brasileiros que acreditam que sanções ao país poderiam gerar ganhos eleitorais.

"O que é mais triste é que tem brasileiros fomentando essa briga na perspectiva de que, se ele taxar a gente, vai prejudicar uma candidatura à Presidência da República. Mas o que um imbecil desses não percebe é que quem é prejudicado é o povo, não o Lula", declarou.

O presidente acrescentou que pedir punições ao Brasil por interesses políticos seria um ato incompatível com os interesses nacionais.

Lula conduz reunião ministerial com frase 'Brasil soberano' em telão (Foto: Reprodução/Canal Gov)

Defesa da soberania

Em tom nacionalista, Lula afirmou que o Brasil não aceitará ser tratado como uma "republiqueta insignificante" e reforçou que o país buscará relações internacionais baseadas no respeito mútuo.

Durante a reunião, mensagens como "O PIX é do Brasil" e "Brasil é soberano" foram exibidas em um telão instalado no local.

"A nossa luta é para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana", disse.

O presidente também afirmou que o país nunca se recusou a negociar questões comerciais com os norte-americanos.

"Este país não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Não somos melhores do que ninguém, mas também não somos piores. Queremos respeitar todo mundo, mas também queremos respeito", declarou.

Questionamentos sobre as tarifas

Lula afirmou ter tomado conhecimento das novas propostas tarifárias por meio das redes sociais e classificou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos como baseadas em informações incorretas.

"É uma taxação substanciada com base em inverdades. Porque o déficit que os Estados Unidos dizem que têm com o Brasil é o Brasil que tem com eles. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação, seria o Brasil contra os Estados Unidos, não o contrário", afirmou.

O presidente também destacou o reconhecimento da China ao status sanitário brasileiro de país livre de febre aftosa sem vacinação, medida que amplia as oportunidades de exportação de carne bovina para o mercado chinês.

"Foi a melhor resposta aos Estados Unidos. No dia em que anunciaram a taxação, a China anunciou o reconhecimento do Brasil livre de febre aftosa. Então, a carne brasileira está liberada para os chineses", comemorou.

Novas críticas a Marco Rubio

Durante o encontro, Lula voltou a direcionar críticas ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O presidente classificou o auxiliar de Donald Trump como "antiamericano" e "latino-americano frustrado".

Apesar do tom crítico, o petista afirmou que pretende buscar diálogo direto com o presidente norte-americano para tratar das questões tarifárias e das relações comerciais entre os dois países.

Na semana passada, Flávio Bolsonaro esteve nos Estados Unidos e participou de reuniões com Marco Rubio, além de um encontro com Donald Trump.

Entenda a disputa comercial

A tensão entre os dois países aumentou após uma investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos concluir que 60 países, entre eles o Brasil, teriam falhado em fiscalizar adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Como consequência, Washington propôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos desses países.

A medida se soma à proposta anunciada anteriormente pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que prevê uma tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras sob a alegação de que o Brasil adota práticas que restringem ou prejudicam o comércio norte-americano.

Caso ambas as medidas sejam implementadas, a sobretaxa poderá chegar a 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para o mercado dos Estados Unidos.

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