- Presidente Lula classifica como irresponsável revogação do visto da embaixadora brasileira pelos EUA.
- Lula critica demora dos EUA em indicar embaixador e afirma que país não aceita impor calendário.
- Brasil preparado para reagir a qualquer tentativa de interferência externa nas eleições.
- Itamaraty negou vistos a dois cidadãos americanos que pretendiam fiscalizar o sistema eleitoral.
- Crise diplomática entre Brasil e EUA agravou-se após revogação do visto da embaixadora brasileira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como "irresponsável" a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil no país. A declaração foi feita nesta quarta-feira (5), durante entrevista ao podcast Meteoro Brasil, em meio ao agravamento da tensão diplomática entre os dois países.
Segundo Lula, a medida representa um gesto incompatível com a tradição diplomática entre Brasil e Estados Unidos.
Eles [Estados Unidos] tomaram a atitude de cassar o visto da nossa embaixadora. Se ela sair para cá, ela vai ter que tirar visto outra vez. Sabe? Então, essa atitude é que eu acho uma atitude irresponsável, impensada para um país que tem 203 anos de diplomacia, de relação diplomática.
O presidente também criticou a demora dos Estados Unidos em indicar um embaixador para o Brasil e afirmou que o país não pode impor o calendário para o recebimento de seu representante.
Os Estados Unidos não dão importância para embaixador no Brasil, faz um ano e meio que ele está no poder e não mandou para cá. Tenta mandar e acha que a gente tem a obrigação de fazer a data que eles querem? Não é correto e não é possível, nós queremos ser tratados com respeito.
Presidente fala sobre eleições
Ao comentar uma eventual interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro, Lula afirmou que o país está preparado para reagir a qualquer tentativa de influência externa.
O Brasil não só está preparado como vai enfrentar qualquer pessoa de fora que queira interferir no nosso processo eleitoral.
O presidente também relembrou um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando o governo brasileiro pediu a revogação de sanções contra autoridades brasileiras. Segundo Lula, o pedido não foi atendido.
Na sequência, afirmou que o Itamaraty negou vistos a dois cidadãos americanos que, segundo ele, pretendiam vir ao Brasil para questionar o sistema eleitoral.
Depois, eu fico sabendo da notícia que vinham dois jovens pra cá para se intrometer e fiscalizar e investigar as urnas brasileiras. O Itamaraty, corretamente, negou o visto para eles.
Lula disse ainda que orientou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a não marcar reuniões com embaixadores até o término das eleições.
Eu disse ao Mauro: até a eleição eu não recebo mais embaixador. Só depois da eleição.
Crise diplomática entre Brasil e EUA
As declarações ocorrem um dia após os Estados Unidos revogarem o visto da embaixadora brasileira e em meio ao aumento da tensão diplomática entre os dois países.
Desde o início da campanha eleitoral, a relação bilateral se deteriorou. O governo do presidente Donald Trump anunciou tarifas sobre produtos brasileiros, enquanto integrantes do governo Lula passaram a atribuir às medidas um componente político ligado às eleições no Brasil.
Nesse contexto, aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, intensificaram contatos com setores políticos americanos. O deputado Eduardo Bolsonaro passou a atuar nos Estados Unidos em defesa de pautas ligadas ao grupo bolsonarista, enquanto o governo brasileiro denunciou tentativas de pressão externa sobre instituições nacionais.
Em resposta, o Itamaraty negou vistos a estrangeiros que, segundo o governo, pretendiam vir ao Brasil para questionar ou fiscalizar o sistema eleitoral. A crise se agravou nos últimos dias após a revogação do visto da embaixadora brasileira pelos Estados Unidos.