- Lula busca ampliar opções para comandar a Casa Civil e evitar antecipar discussões sobre sucessão política.
- Fernando Haddad e Camilo Santana são nomes destacados, mas Lula avalia outras alternativas para evitar indicação de sucessor.
- Gleisi Hoffmann e funções políticas para Haddad e Camilo são consideradas como alternativas para evitar sinalização de sucessão.
- Ministérios da Segurança Pública e Educação entram nas articulações como possíveis opções para o comando da Casa Civil.
- Escolha do comando da Casa Civil já influenciou sucessão presidencial, como no caso de Dilma Rousseff em 2010.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende ampliar as opções para o comando da Casa Civil e evitar que a escolha do próximo ministro seja interpretada como uma indicação de seu sucessor político. Após a vitória nas urnas, os nomes dos ex-ministros Fernando Haddad (PT) e Camilo Santana (PT) ganharam destaque nas articulações, mas Lula tem sinalizado a aliados que deseja avaliar outras alternativas antes de tomar uma decisão.
Lula quer evitar antecipar discussão sobre sucessão
A Casa Civil é considerada uma das principais pastas do governo federal. Entre suas atribuições estão a coordenação das ações dos ministérios e a articulação com estados e municípios. Por isso, a escolha de seu titular também tem peso político dentro do governo.
Antes das eleições, Haddad era apontado como o nome preferido para assumir o ministério. Camilo Santana, por sua vez, ganhou força depois de integrar o núcleo da campanha de Lula durante o segundo turno e ser considerado uma peça importante na vitória eleitoral.
Apesar da disputa entre os dois, interlocutores afirmam que Lula avalia que a nomeação de qualquer um deles poderia ser interpretada como uma espécie de “unção” de um sucessor. O presidente pretende concentrar sua atenção no atual mandato e não quer antecipar o debate sobre quem poderá ocupar seu lugar no futuro.
Gleisi Hoffmann também aparece entre as alternativas
Com a intenção de ampliar as possibilidades, Lula tem demonstrado disposição para ouvir outros nomes. Entre as sugestões apresentadas por aliados está a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), que não conseguiu se eleger para o Senado pelo Paraná e está sem mandato.
Outra possibilidade discutida por auxiliares é encontrar funções que garantam protagonismo político a Haddad e Camilo, sem que a escolha represente um sinal sobre a sucessão presidencial.
Segurança Pública e Educação entram nas articulações
Entre as alternativas mencionadas por integrantes do governo estão os ministérios da Segurança Pública e da Educação.
A primeira pasta poderá ser criada caso avance a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o reforço das atribuições federais na área de segurança. Já o Ministério da Educação ficará à frente de iniciativas como a universalização da escola em tempo integral e o Pé-de-Meia Universitário.
Escolha da Casa Civil já teve peso na sucessão presidencial
A relação entre o comando da Casa Civil e a sucessão de Lula também tem um precedente em seus governos anteriores. Depois dos dois primeiros mandatos do petista, Dilma Rousseff (PT) foi escolhida como sucessora política.
Antes de chegar à Presidência, Dilma comandou a Casa Civil entre 2005 e 2010 e ficou conhecida como “mãe do PAC”, em referência à atuação no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que reunia obras e ações consideradas centrais para o governo.