- Empresário Cleydson Cardoso Costa Filho deve prestar depoimento em audiência de instrução do processo por atropelamento em Salvador.
- Cleydson é sócio de empresa de investimentos e integrante do movimento cristão Legendários, que reúne milhares em diversos países.
- Acidente ocorreu em agosto de 2025, na orla da Pituba, com Cleydson embriagado e sem concluir teste do bafômetro.
- Vítima sofreu amputação de perna e afirma não receber auxílio financeiro determinado pela Justiça desde janeiro.
- Processo investiga tentativa de homicídio com dolo eventual, com audiência de instrução marcada para quinta-feira (9).
O empresário Cleydson Cardoso Costa Filho, de 26 anos, volta ao centro das atenções nesta quinta-feira (9), quando deve prestar depoimento durante a segunda audiência de instrução do processo que apura o atropelamento do corredor amador Emerson Pinheiro, em Salvador. Filho da vereadora Débora Santana (PDT), ele responde por tentativa de homicídio com dolo eventual, acusação relacionada ao acidente que deixou o atleta com sequelas permanentes e resultou na amputação de uma das pernas.
Quem é o acusado
Além de atuar como empresário e sócio de uma empresa de investimentos, Cleydson integra o movimento cristão Legendários, organização criada na Guatemala em 2015 e voltada ao fortalecimento da fé e da liderança masculina por meio de retiros espirituais.
Em suas redes sociais, o empresário costumava compartilhar registros das atividades do grupo. Após participar de um retiro, em fevereiro de 2025, publicou:
"Foi sensacional estar presente com vocês, obrigada família! AHU Legendários".
O movimento reúne milhares de participantes em diversos países e já contou com a presença de personalidades como o influenciador Eliezer, o empresário Thiago Nigro e Neymar da Silva Santos, pai do jogador Neymar.
Apoio da mãe
Antes do acidente, a vereadora Débora Santana também havia celebrado a participação do filho no Legendários. Em uma publicação nas redes sociais, escreveu:
"Depois de quatro dias na montanha, ele retorna com a alma renovada e ainda mais conectado com Deus. Que honra ver esse voo espiritual!"
Após o atropelamento, a parlamentar divulgou nota manifestando solidariedade ao corredor e aos familiares, além de afirmar que estava à disposição para prestar apoio à vítima.
O atropelamento
O acidente aconteceu em agosto de 2025, na orla da Pituba, em Salvador. Cleydson foi preso em flagrante logo após atropelar Emerson Pinheiro.
Segundo testemunhas, ele apresentava sinais de embriaguez, com dificuldade para caminhar e falar, e não conseguiu concluir o teste do bafômetro. O carro que dirigia ficou completamente destruído após a colisão.
Emerson sofreu múltiplas fraturas nas pernas e precisou amputar um dos membros. O caso passou a ser investigado e a prisão em flagrante foi convertida em preventiva no dia seguinte.
Processo na Justiça
O Ministério Público sustenta que Cleydson assumiu o risco de provocar o acidente e, por isso, o denunciou por tentativa de homicídio com dolo eventual.
Nesta quinta-feira, ele deve ser ouvido pelo juiz responsável pelo processo durante a segunda audiência de instrução.
Enquanto aguarda o andamento da ação penal, Emerson afirma enfrentar dificuldades durante a recuperação. Segundo a vítima, o auxílio financeiro determinado pela Justiça na primeira audiência não vem sendo pago.
"De janeiro até hoje, não recebi nenhuma ajuda mensal deles e também ninguém me procura. Se não fosse minha família, estaria sozinho", afirmou.
"Eu pretendo voltar à vida, voltar a andar, voltar a trabalhar e voltar à faculdade."
"Só com uma perna eu não posso ter a mesma mobilidade que tinha antes."