No último sábado (14), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) compartilhou em suas redes sociais um vídeo em que uma apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirma que os jornalistas que estão fazendo a cobertura da internação de Bolsonaro, em frente ao hospital em que o parlamentar está internado, estão desejando a morte do ex-chefe do Executivo.
O vídeo, produzido por Cris Mourão, mostra os profissionais da imprensa reunidos em frente à unidade hospitalar. A apoiadora do ex-presidente gravou os rostos e os crachás dos jornalistas e chegou a dizer que o ato seria uma “falta de vergonha”.
Repercussão
Nas redes sociais, o registro logo viralizou. Duas repórteres foram reconhecidas na rua e no transporte público e sofreram ameaças.
Imagens produzidas por inteligência artificial simulavam uma das profissionais que aparecem no vídeo sendo esfaqueada. Fotos de filhos e familiares dos comunicadores também começaram a circular nas redes sociais como forma de intimidação.
Polícia entrou no caso
Após a situação escalar, associações como o Sindicato dos Jornalistas, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas repudiando o episódio.
A Polícia Militar procurou os jornalistas e orientou que procurassem a equipe que estava de guarda em frente ao hospital, como forma de assegurar testemunhas. Não foram registrados novos episódios desde sexta-feira (14). Alguns dos profissionais da imprensa registraram BOs.
Leia a nota da Associação Brasileira de Imprensa na íntegra:
“A Associação Brasileira de Imprensa repudia as manifestações de hostilidade e ódio dirigidas a jornalistas que realizam a cobertura da internação do ex-presidente Jair Bolsonaro, nos últimos dias, em Brasília. Profissionais de imprensa que cumprem seu dever de informar a sociedade têm sido alvo de ataques verbais e intimidações por parte de apoiadores do ex-presidente, em um ambiente de crescente hostilidade contra o trabalho jornalístico.
Causa indignação a atitude da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que compartilhou em suas redes sociais um vídeo com ataques a jornalistas. O material, produzido por uma influenciadora bolsonarista e amplificado por parlamentares da extrema-direita, foi difundido sem qualquer verificação, disseminando desinformação e expondo profissionais que apenas exerciam seu trabalho.
A partir dessa campanha, jornalistas que aparecem nas imagens passaram a ser identificados e atacados nas redes sociais. As agressões ultrapassaram o ambiente digital: repórteres foram reconhecidas na rua e no transporte público e sofreram ataques presenciais. Também circularam montagens e vídeos com uso de inteligência artificial simulando violência contra profissionais, além da exposição de fotos de filhos e familiares como forma de intimidação.
É inadmissível que figuras públicas utilizem sua influência para difundir conteúdo falso ou estimular campanhas de difamação contra jornalistas. Esse tipo de prática não ameaça apenas indivíduos, mas representa um ataque direto à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade à informação.
O episódio remete ao período de 2019 a 2022, em que a violência contra jornalistas foi praticada e estimulada diretamente pelo próprio Bolsonaro, então presidente da República, por meio de diversos episódios de triste memória. Foram diversas as ocasiões em que entrevistas coletivas na Presidência da República se tornavam espaços para ataques aos profissionais de imprensa no ‘cercadinho’, sob o comando de Bolsonaro e apoiadores.
Manifestamos solidariedade aos profissionais que estão em serviço e reiteramos a defesa incondicional do respeito à atividade jornalística e à liberdade de imprensa.”
Defesa da bolsonarista
No domingo (15), Cris Mourão publicou em seu perfil oficial no Instagram sobre o caso onde citou que sua intenção não era de prejudicar ninguém, mas sim defender a nação. Ela parabenizou um dos jornalistas que aparecem no vídeo, que supostamente estaria defendendo o ex-presidente.