- Grupo planejava atentados contra políticos e prédios públicos em Brasília por meio de conversas online.
- Integrantes mantinham comunicações em grupos do Telegram, discutindo fabricação de explosivos e discursos de ódio.
- Palácio do Planalto estava entre os alvos, com referências a mapas e uma planta baixa compartilhada.
- Ministério da Justiça destacou risco de ataques e alertou sobre normalização de comportamentos extremistas.
- Ciberlab identificou 103 relatórios sobre grupos de ódio em 2026, incluindo conteúdo racista e misógino.
Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal identificou um grupo que planejava, pela internet, atentados contra políticos e prédios públicos em Brasília. Os integrantes, que não se conheciam pessoalmente, mantinham conversas monitoradas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Nas mensagens, discutiam a fabricação de explosivos e compartilhavam discursos de ódio.
“Vocês deveriam listar os principais alvos para garantir o sucesso da revolução”, dizia uma das mensagens. Em outra, um integrante afirmou: “Muito dificilmente nossos inimigos estão concentrados em um único lugar”.
Grupos no Telegram reuniam centenas de integrantes
As comunicações ocorriam em dois grupos do Telegram. Um deles utilizava uma imagem de Adolf Hitler como foto de perfil. Entre os planos discutidos estava o de “explodir o edifício do debate onde os eleitos do 2º turno irão debater”.
Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, o conteúdo identificado pelas autoridades indicava preparação para ataques.
“Não eram práticas inocentes. O que estava ali sendo engendrado eram atentados sérios”, afirmou. O ministro também destacou que comportamentos relacionados ao extremismo e à violência não devem ser minimizados ou normalizados.
Investigação identificou planos para ataques
Um relatório do Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos, apontou que o conteúdo compartilhado nos grupos apresentava planejamento de atos violentos, incluindo o uso de artefatos explosivos. O documento também identificou ideologia neonazista, misoginia e incentivo à violência entre os conteúdos compartilhados.
O acesso aos grupos era restrito e dependia de links específicos ou de buscas pelos nomes exatos. O maior grupo reunia mais de 600 integrantes. Usuários considerados mais radicalizados eram convidados para um segundo grupo, com 46 participantes, onde, segundo a investigação, eram compartilhadas instruções para a prática de ataques.
Grupo compartilhava manuais para fabricar explosivos
As mensagens analisadas pelas autoridades incluíam manuais para a fabricação de explosivos e coquetéis Molotov. Os integrantes também discutiam o desenvolvimento de artefatos explosivos, além de calcular quantidades de materiais e custos necessários para os ataques. Segundo o Ministério da Justiça, os administradores dos grupos tentavam identificar participantes dispostos a matar.
Palácio do Planalto estava entre os alvos
De acordo com a investigação, o principal objetivo do grupo era invadir e explodir prédios públicos, especialmente o Palácio do Planalto. Os investigadores encontraram referências a mapas de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).
O delegado Coelho afirmou que os integrantes chegaram a compartilhar uma planta baixa do Palácio do Planalto para discutir possíveis formas de entrada e saída do prédio. Segundo as autoridades, a intenção não seria apenas provocar destruição, mas também produzir um ato de violência de caráter antidemocrático a partir de Brasília.
Ciberlab produziu 103 relatórios em 2026
O ministro Wellington César Lima e Silva afirmou que a internet concentra uma parcela significativa das ocorrências relacionadas a crimes investigados pelas autoridades. O Ciberlab, que funciona em uma área de acesso restrito em Brasília, atua na identificação de pessoas que utilizam perfis anônimos para produzir e compartilhar conteúdos de ódio.
Somente em 2026, o laboratório produziu 103 relatórios sobre mais de 50 grupos de ódio. Entre os conteúdos identificados estavam mensagens de caráter racista, misógino e homofóbico.
Polícia cumpriu mandados em cinco estados
Na última terça-feira (4), a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados. Os investigados devem responder por associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime.
A investigação continua com a análise dos computadores e celulares apreendidos durante a operação. “E a nossa teoria aqui é que a gente não vai pagar para ver”, afirmou o delegado responsável pela investigação.
O ministro da Justiça e Segurança Pública também destacou a necessidade de atenção ao avanço de grupos extremistas. “O sentimento do extremismo será sempre contra o pluralismo. E nós todos, democratas, cidadãos, temos que estar vigilantes em relação a isso”, declarou.