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Instituto ligado a Mendonça recebeu R$ 5,2 milhões de empresa de empresário ligado a Vorcaro

A empresa pertence ao empresário mineiro Lucas Kallas, que já manteve negócios com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero.

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  • Instituto Iter recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações em abril de 2024 por meio de contrato de mútuo conversível.
  • Em janeiro deste ano, o Instituto Iter interrompeu os repasses e iniciou a devolução dos recursos à Cedro com juros Selic.
  • Lucas Kallas, proprietário da Cedro, teve negócios com Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero.
  • André Mendonça foi relator das investigações do Banco Master após a Cedro depositar recursos na entidade.
  • Kallas foi indiciado por suspeitas de exploração ilegal da Mina Granja Corumi e crimes ambientais.
Ministro André Mendonça | Foto: Gustavo Moreno/STF
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O Instituto Iter, ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, holding com atuação nos setores de mineração, agronegócio e logística. A empresa pertence ao empresário mineiro Lucas Kallas, que já manteve negócios com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero.

As informações foram divulgadas pelo colunista Cézar Feitosa, do UOL.

O repasse foi estabelecido em abril de 2024 por meio de um contrato de mútuo conversível, modalidade em que o credor pode transformar o valor emprestado em participação na entidade ou receber o dinheiro de volta.

O contrato previa inicialmente R$ 5,9 milhões. Em janeiro deste ano, porém, o Instituto Iter decidiu interromper os repasses e iniciar a devolução dos recursos à Cedro. No mês seguinte, Mendonça foi sorteado relator das investigações relacionadas ao Banco Master.

Segundo o Instituto Iter, a decisão de encerrar o empréstimo ocorreu porque a entidade já havia alcançado uma situação de sustentabilidade financeira.

Em nota, o instituto informou que foi firmado um termo aditivo estabelecendo o vencimento antecipado da dívida e o início imediato da devolução dos valores, com juros calculados pela taxa Selic. Até o momento, segundo o Iter, cerca de 5,3% do total da dívida já foi pago.

A negociação foi conduzida pelo presidente do Instituto Iter e ex-ministro da Educação, Victor Godoy Veiga, com representantes da Cedro. O instituto afirma que André Mendonça e Lucas Kallas não participaram das discussões sobre os termos do contrato.

Ainda de acordo com o Iter, os recursos foram depositados diretamente na conta da pessoa jurídica e utilizados exclusivamente na estruturação e nas atividades da entidade, conforme previsto no contrato. O instituto também afirma que não distribuiu valores a acionistas na forma de lucros, dividendos ou participação nos resultados.

O Iter negou ainda que Daniel Vorcaro tenha participado das tratativas e afirmou que, à época da assinatura do contrato, não tinha conhecimento de outras relações societárias ou empresariais eventualmente mantidas pela Cedro ou por Lucas Kallas.

A Cedro também negou qualquer relação societária ou vínculo empresarial entre Vorcaro e seus negócios. Segundo a empresa, participações adquiridas em companhias de capital aberto não configuram sociedade comercial com o banqueiro.

Relações empresariais de Lucas Kallas

Lucas Kallas é proprietário da Cedro Participações, holding que, segundo informações divulgadas pela própria empresa, atua principalmente nos setores de mineração, agronegócio e logística.

O empresário teve negócios com empresas relacionadas a Daniel Vorcaro. No fim de 2023, por exemplo, a Cedro possuía 8% da companhia de biotecnologia Biomm. Em fevereiro de 2024, uma gestora ligada a Vorcaro e ao empresário Nelson Tanure adquiriu ações da mesma empresa.

Kallas também investiu na Latache Capital e, em 2025, passou a deter 33% da gestora. A empresa foi uma das acionistas da Oncoclínicas, que manteve R$ 478 milhões em CDBs do Banco Master. Segundo a Cedro, a holding deixou de integrar o quadro societário da Biomm e da Latache em abril de 2026, como parte da estratégia de concentrar seus investimentos no setor de mineração.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro também indicaram que ele e Kallas viajaram juntos para Caracas, na Venezuela, em novembro de 2023, para prospectar negócios no setor de petróleo. Registros de entrada no Palácio do Planalto mostram que os dois estiveram na sede do governo brasileiro em dezembro daquele ano.

A Cedro afirmou que as viagens de Kallas fazem parte de sua agenda regular de prospecção internacional e que, ao longo do ano passado, o empresário esteve em mais de 17 países em compromissos comerciais e institucionais. Kallas não é investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes bancárias envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. A Cedro Participações também não é citada nos inquéritos relacionados às fraudes bancárias.

Investigação sobre mineração

Em junho deste ano, Lucas Kallas foi indiciado pela Polícia Federal por suspeitas relacionadas à exploração da Mina Granja Corumi, na Serra do Curral, em Belo Horizonte (MG).

Segundo a investigação, empresas que atuavam na região teriam ultrapassado as autorizações concedidas para a retirada de minério anteriormente estocado e para a recuperação de áreas degradadas. A PF apontou suspeitas de exploração ilegal de minério de ferro e mencionou possíveis crimes ambientais, lavagem ou ocultação de dinheiro, corrupção ativa, tráfico de influência e pagamento de vantagem indevida a agente público.

A defesa de Kallas contestou as conclusões da investigação. Em manifestação enviada ao UOL, afirmou que o caso retoma fatos antigos que já teriam sido investigados e arquivados pela Justiça. O empresário também declarou que deixou definitivamente o negócio investigado em 2017, antes da criação da Cedro, e que atuava apenas como sócio-investidor.

Encontros entre Mendonça e Vorcaro

André Mendonça e Daniel Vorcaro se encontraram pelo menos uma vez, segundo mensagens extraídas do celular do banqueiro e informações divulgadas pelo ICL Notícias e confirmadas pelo UOL.

A reunião ocorreu em 14 de março de 2025, na sede do Instituto Iter. Segundo Mendonça, o encontro tratou de precatórios e ocorreu após solicitação de Vorcaro. No mesmo mês, o ministro também recebeu um advogado ligado ao banqueiro em seu gabinete no STF para tratar do mesmo assunto.

Mendonça afirmou que as reuniões estavam relacionadas à Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, processo que discutia créditos de precatórios de interesse do Banco Master. Segundo o ministro, sua atuação no processo foi contrária à posição defendida por Vorcaro. No julgamento, o STF decidiu por unanimidade contra a tese defendida pelo banqueiro.

Mensagens também indicaram que Vorcaro teria sido incluído como possível convidado de um evento do Instituto Iter realizado em junho de 2025, em Belo Horizonte. O instituto, entretanto, afirmou que a tentativa de inclusão partiu de terceiros e foi barrada pelo então CEO Victor Godoy. Segundo a entidade, Vorcaro não recebeu convite institucional e não participou do evento.

André Mendonça deixou o Instituto Iter no início de setembro. A entidade afirma que o ministro nunca recebeu dividendos, distribuição de lucros ou participação nos resultados e que sua atuação no instituto era restrita ao âmbito acadêmico.

Procurado pelo UOL, o ministro André Mendonça não se manifestou sobre o repasse.

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