O historiador e comentarista político Marco Antonio Villa, de 71 anos, se pronunciou após a Justiça de São Paulo expedir um mandado de prisão contra ele por dívida de pensão alimentícia. Em nota publicada no perfil dele no X, Villa afirmou que enfrenta uma “injustiça sem precedente” e alegou não ter condições financeiras para arcar com o valor determinado judicialmente.
Segundo o historiador, a obrigação corresponde a 20 salários mínimos mensais para a ex-esposa e um dos filhos, além do pagamento do plano de saúde de ambos. Ele afirma que o valor total supera R$ 40 mil por mês.
“Infelizmente, nunca tive condições financeiras para arcar com essa quantia desarrazoada. Não sou milionário, mas sim uma pessoa assalariada que labuta arduamente todos os dias”, declarou.
Villa também afirmou que já pagou quase R$ 1,5 milhão aos beneficiários da pensão e que precisou vender imóveis, utilizar suas economias e contratar empréstimos para cumprir a obrigação. Ele disse ainda que pretende continuar buscando na Justiça a revisão dos valores.
Mandado de prisão foi expedido em São Paulo
A Justiça de São Paulo determinou a prisão de Villa em razão do não pagamento de pensão alimentícia. Segundo informações divulgadas pela imprensa, a dívida ultrapassa R$ 570 mil e está relacionada à pensão devida à mãe de um dos filhos do historiador, de 45 anos, que tem deficiência e recebe cuidados dela.
O mandado foi expedido pelo juiz Eduardo Palma Pellegrinelli, da 12ª Vara da Família e das Sucessões de São Paulo. O processo tramita sob segredo de Justiça.
A determinação também prevê buscas em endereços ligados ao historiador, que, segundo as informações divulgadas, ainda não havia sido localizado.
Em sua manifestação pública, Villa afirma que há ações judiciais em andamento para contestar o que considera abusos. Ele não apresentou detalhes dos processos, alegando que estão sob segredo de Justiça.
Villa foi candidato a deputado federal
Marco Antonio Villa concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo MDB nas eleições de 2022, mas não foi eleito. Na ocasião, recebeu 31.579 votos.
De acordo com os registros eleitorais, a campanha recebeu R$ 1,75 milhão em recursos do partido, provenientes do financiamento público de campanhas, além de R$ 250 mil doados pelo engenheiro Eduardo Robson Rainere de Almeida.
Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral em 2026, Villa não registrou bens em seu nome. Em 2022, havia declarado patrimônio de R$ 1,3 milhão, incluindo uma casa em Peruíbe, no litoral paulista, e um apartamento no Jardim Paulista, área nobre da capital.
Leia a íntegra da nota de Marco Antonio Villa
“Diante das midiáticas e distorcidas notícias veiculadas a meu respeito, sinto-me na obrigação de esclarecer os fatos ligados a essa triste e lamentável história.
Luto sozinho e calado, há anos, para tentar reverter uma injustiça sem precedente que diariamente me aflige: o dever de destinar 20 salários-mínimos por mês para minha ex-esposa e para um de meus filhos, acrescido do valor do plano de saúde em favor de ambos.
Em valores atuais, a pensão alimentícia que deveria ser por mim paga supera a quantia de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais) por mês!
Infelizmente, nunca tive condições financeiras para arcar com essa quantia desarrazoada. Não sou milionário, mas sim uma pessoa assalariada que labuta arduamente todos os dias.
Desde que fui vítima desta condenação, vi-me compelido a destinar aos beneficiários tudo o que tinha e o que não tinha para não ter minha liberdade cerceada.
Já paguei quase R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) à ex-esposa da qual há muito me separei e ao meu querido filho (que embora conte 45 anos, em razão de suas fragilidades, vem sendo pela mãe contra mim orquestrado).
Para viabilizar o pagamento desta fortuna tive que me desfazer de patrimônio que angariei ao longo de uma vida dedicada ao trabalho, já tendo destinado a minha ex-esposa: i) os dois imóveis antes por mim titulados (o que nos serviu de lar e um outro situado no litoral); ii) todas as minhas economias; e, ainda, iii) valores levantados mediante a contratação de empréstimos bancários.
Após ter liquidado literalmente meu patrimônio acima mencionado e me compelido a contrair dívidas onerosas, pretende-se, agora, liquidar aquilo que me é mais caro: minha saúde, minha honra e minha liberdade de ir e vir.
Não esmorecerei, contudo.
As diversas ações judiciais em andamento, visando à correção de todos os abusos contra mim cometidos, tramitam em segredo de justiça, e, por esta razão, não podem ter seus detalhes por mim publicados.
Registro, apenas, que continuo confiando na justiça, a qual, embora muito já tenha tardado, certamente não falhará.”