O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixará o cargo no governo federal na próxima semana para disputar as eleições deste ano ao governo do estado de São Paulo. A saída está sendo programada para ocorrer entre quarta ou quinta-feira, após acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão foi construída ao longo de reuniões entre o presidente e o ministro, mas ganhou força após a divulgação de uma pesquisa Datafolha, que indicou desempenho competitivo do petista em um possível confronto eleitoral com o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Decisão política
A definição da candidatura vinha sendo discutida há meses dentro do governo. A avaliação de aliados de Lula é que Haddad reúne condições políticas para representar o grupo na disputa pelo governo paulista.
Segundo a pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana, Haddad aparece com 28% ou 31% das intenções de voto no primeiro turno, dependendo do cenário apresentado aos eleitores. Tarcísio de Freitas lidera com 44% nas duas projeções. Em um eventual segundo turno, o levantamento indica vitória do atual governador por 52% a 37%.
Estratégia eleitoral
Apesar da desvantagem nas pesquisas, a estratégia do núcleo político do governo é reduzir a diferença no maior colégio eleitoral do país.
Aliados do presidente avaliam que uma disputa competitiva em São Paulo pode fortalecer o palanque do governo federal no estado e ampliar a base eleitoral para a campanha presidencial.
Entre os fatores considerados positivos para a candidatura de Haddad estão pesquisas qualitativas que apontam preservação da imagem do ministro mesmo diante de debates políticos recentes, como os casos relacionados ao Banco Master, INSS e segurança pública, temas que devem aparecer na campanha.
Anúncio da candidatura
Ainda não está definido se o anúncio oficial da pré-candidatura de Haddad será feito no mesmo momento de sua saída do Ministério da Fazenda ou em uma etapa posterior.
A decisão pode ocorrer junto com a definição da chapa majoritária apoiada pelo presidente Lula no estado.
Possível composição
Nos bastidores, há discussões sobre a formação da chapa que deve disputar o governo paulista. Entre os nomes citados estão as ministras Marina Silva e Simone Tebet, que podem concorrer ao Senado ou ocupar a vaga de vice.
Outro nome envolvido nas articulações é o do vice-presidente Geraldo Alckmin, que pode atuar como coordenador da campanha do grupo político em São Paulo ou disputar uma vaga ao Senado, caso haja acordo com partidos aliados.
Segundo interlocutores do governo, a possibilidade de Alckmin permanecer como vice na chapa presidencial de Lula é considerada elevada no momento.