O transporte público de Teresina deve operar parcialmente nesta segunda-feira (18) após trabalhadores do setor anunciarem um movimento paredista para pressionar empresários nas negociações salariais. Apesar da mobilização, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Piauí (Sintetro) informou que ainda não se trata de uma greve geral.
A paralisação ocorrerá em dois momentos do dia: duas horas no período da manhã e outras duas horas durante a tarde. Segundo a categoria, a intenção é reduzir os impactos à população mantendo a circulação normal dos ônibus nos horários de pico.
O movimento, no entanto, serve como alerta para uma possível paralisação total do sistema já na próxima semana.
Greve geral pode começar dia 25
Os trabalhadores afirmam que, caso não haja avanço nas negociações com os empresários nos próximos dias, a categoria poderá iniciar uma greve geral a partir de 25 de maio.
O principal ponto de impasse continua sendo o reajuste salarial reivindicado por motoristas e cobradores. As conversas entre representantes dos trabalhadores e empresários seguem sem consenso.
A categoria considera o movimento desta segunda-feira uma tentativa de ampliar a pressão antes da adoção de medidas mais drásticas.
Prefeitura prepara plano emergencial
Diante da ameaça de paralisação total, o prefeito Silvio Mendes determinou que a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) inicie o cadastramento de ônibus, micro-ônibus e vans para atuar de forma emergencial caso a greve avance.
A estratégia busca minimizar os impactos para milhares de usuários que dependem diariamente do transporte coletivo na capital.
A prefeitura pretende criar alternativas temporárias de deslocamento para evitar um colapso na mobilidade urbana caso toda a frota convencional seja retirada de circulação.
Prefeitura descarta aumento de subsídios
Apesar da crise no setor, a gestão municipal informou que não participará diretamente das negociações trabalhistas entre empresários e empregados.
O município também descartou ampliar os valores pagos em subsídios às empresas responsáveis pela operação do sistema.
Atualmente, a Prefeitura de Teresina repassa cerca de R$ 6 milhões mensais aos consórcios que administram o transporte coletivo da capital.
Sistema enfrenta nova crise
A ameaça de greve reacende a discussão sobre as dificuldades enfrentadas pelo transporte público de Teresina nos últimos anos, marcados por redução de frota, reclamações de usuários, atrasos e disputas envolvendo empresas, trabalhadores e poder público.
Com a possibilidade de paralisação total na próxima semana, cresce a preocupação entre passageiros que dependem dos ônibus para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais na cidade.
NOTA DO SETUT
O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) esclarece que o estado de greve, anunciado pela categoria laboral para esta segunda-feira (18), é um momento de negociação entre as partes e não resulta na paralisação integral da frota de ônibus da capital, que seguirá com circulação normalizada ao longo do dia.
O SETUT reitera que segue aberto ao diálogo e às negociações construtivas, dentro dos parâmetros aceitáveis para o sistema de transporte público em Teresina, que possui arrecadação e produtividade comprometidas pelo congelamento das tarifas desde 2018 e pela queda acentuada na quantidade de passageiros transportados, com maior incidência após a pandemia da Covid-19.
As reivindicações do sindicato laboral destoam sobremaneira da realidade, com índices de reajuste que giram em torno de 46% para o ticket-alimentação e de 36% para o plano de saúde, enquanto os percentuais comuns de reajustes salariais giram em torno de 3% a 4% ao ano.
Já para a correção salarial, foi solicitado um índice três ou quatro vezes superior aos percentuais atuais, com pedido de reajuste de 12%, enquanto o índice anual varia entre 3% e 4%.
Por fim, o SETUT segue em constantes tratativas junto aos órgãos públicos, apresentando propostas para a otimização do sistema de transporte público, com destaque e urgência para a renovação da frota e a ampliação da quantidade de veículos em operação e circulação.