- Ministério da Fazenda afirma que impacto das novas tarifas dos EUA sobre a economia brasileira será limitado.
- Exportações brasileiras mostram capacidade de recuperação mesmo com aumento de tarifas norte-americanas.
- Investigação dos EUA cita práticas brasileiras como Pix e combate ao desmatamento ilegal como motivos para tarifas.
- Medidas de apoio do governo brasileiro ajudam a reduzir impactos sobre setores mais afetados por tarifas.
- Cenário internacional é marcado por incertezas devido a tensões no Oriente Médio e volatilidade dos preços do petróleo.
O Ministério da Fazenda informou que o impacto sobre a economia brasileira deve ser limitado caso os Estados Unidos confirmem a aplicação de novas tarifas sobre produtos do Brasil no âmbito da investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Segundo a pasta, a participação do mercado americano nas exportações brasileiras e a capacidade de redirecionamento das vendas para outros países tendem a minimizar os efeitos sobre a atividade econômica.
A análise foi divulgada nesta quarta-feira no Boletim MacroFiscal, elaborado pela Secretaria de Política Econômica (SPE). De acordo com o documento, os Estados Unidos responderam por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, o equivalente a menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) antes do impacto das medidas comerciais.
Exportações mostraram recuperação
Segundo a Fazenda, mesmo após o aumento de tarifas aplicado pelos Estados Unidos em agosto do ano passado, as exportações brasileiras demonstraram capacidade de recuperação.
Conforme a análise da pasta, "o mercado americano respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, equivalentes a menos de 2% do PIB antes do choque, e o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda, o efeito direto sobre a atividade foi limitado e tende a continuar desta forma".
O ministério também destacou que, caso as novas tarifas sejam implementadas, diversos produtos deverão ficar de fora da medida, o que tende a reduzir o impacto agregado sobre a economia brasileira.
Investigação dos EUA cita Pix e outras práticas
A possível adoção das novas tarifas decorre da investigação aberta pelo governo americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
No início deste mês, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu que práticas adotadas pelo Brasil, como questões relacionadas ao Pix, ao combate ao desmatamento ilegal, à pirataria e à proteção da propriedade intelectual, estariam restringindo ou onerando o comércio entre os dois países.
Como resultado da investigação, o órgão propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, embora a decisão definitiva ainda dependa do governo americano.
Medidas de apoio e cenário internacional
A Fazenda também ressaltou que as ações implementadas pelo governo brasileiro no último ano, voltadas ao crédito, à liquidez e à diversificação de mercados para exportação, ajudam a reduzir possíveis impactos sobre os setores mais afetados.
No mesmo boletim, a Secretaria de Política Econômica (SPE) avaliou que o cenário internacional permanece cercado de incertezas em razão das tensões no Oriente Médio. Segundo a pasta, a trégua entre Estados Unidos e Irã reduziu temporariamente a pressão sobre os preços do petróleo, mas a retomada das tensões voltou a elevar os riscos para o mercado global de energia e para a atividade econômica mundial.